terça-feira, 6 de maio de 2008

"É proibido proibir"

Comemora-se este ano o quadragésimo aniversário do movimento social que ficou conhecido como o "Maio de 68".
Foi, na opinião de muitos, o movimento sócio-cultural mais importante do século XX, verdadeira mecha na mudança de costumes.
Reduzi-lo a um mero movimento estudantil, secundado por trabalhadores grevistas, ou a uma mera libertinagem de levianos, é falha que se não aceita.
Mesmo que os líderes, utilizando dizeres de então, se tenham "aburgesado", que o "é obrigatório ter prazer" tenha que ser lido à luz dos tempos de hoje, as mudanças de mentalidade foram enormes.
Sarkozy defende a morte do Maio de 1968; será a solução?
As revoluções têm que ser vistas dessa forma, como processos de ruptura, conduzidos pelo subconsciente do Homem, afastando muitas vezes os avisados e ponderados em detrimento dos apaixonados. Em tempos desses, quem rouba mesas é rei!
O Maio de 1968, visto na imprensa portuguesa da época como um movimento de desordeiros, com dedo anarquita e comunistas (lá iriam comer as cirancinhas ao pequeno-almoço...) foi a mola necessária após o movimento estudantil de 1962 e que precedeu a crise de Coimbra de 69.
Muitos dos seus feitores ocupam hoje cargos de relevo na vida pública e política portuguesa.
E são uma demonstração clara que a acção produz resultado.
Que conseguimos.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Social democracia e suas figuras

É usual colocar-se a questão doutrinária das diferenças políticas entre o socialismo, a social-democracia e o liberalismo social. Mais importante que as querelas, são as políticas: a social-democracia, de que o Partido Socialista é herdeiro, que marca a matriz da Juventude Socialista, é a doutrina por mim defendida.
Solidariedade, Estado Providência, Coesão Social dialogante. Um tríptico que não é apenas um enumerar de boas intenções.
Diferente quadrante geográfico, mas a prova que a social-democracia é um sistema eficaz; conduzida por um homem que não conseguiu cumprir totalmente a sua função.
Olaf Palme
Nasceu a 30 de Janeiro de 1927 no seio de uma família próspera de classe média, tendo perdido o pai quando tinha 7 anos; era uma criança frágil, que dedicou muito tempo à leitura e à aprendizagem de línguas estrangeiras.
Enquanto estudante, por diversas vezes se deslocou aos Estados Unidos da América e ao Médio Oriente.
Em 1953 Tage Erlander, então primeiro-ministro, atribui-lhe a posição de secretário pessoal; dois anos depois é eleito membro do secretariado nacional da juventude social democrata.
As ideias força de Olaf Palme assentam sobre seis pontos: fim das diversas formas de colonialismo; o direito à auto determinação dos povos; a necessidade de uma nova ordem enconómica mundial; a luta contra o racismo; a procura da igualdade de direitos; a democratização da educação.
Defendia que o pleno emprego e um sector público forte eram os mais fortes sustentáculos da procura da igualdade entre os diferentes grupos sociais e entre os sexos. Defendia Estado Providência forte: todos, independentemente dos rendimentos que auferiam, deveriam beneficiar do sistema de segurança social, o que permitiria manter o traço de solidariedade e a vontade de pagar as taxas devidas, além de permitir evitar uma desigualdade material, obstando a que os mais ricos obtivessem vantagens derivadas da sua condição económica.
Foi ministro sem pasta em 1963, ministro da comunicação em 1965, ministro da educação em 1967 e, após a demissão de Tage Erlander, foi eleito secretário-geral do Partido Social Democrata, posteriormente vindo a ser eleito primeiro-ministro sueco.
A luta contra o desemprego era erigida como objectivo primeiro da social democracia, mesmo contra os liberais e os adventistas do mercado livre, não perdendo de vista um Estado forte, com fortes sindicatos e uma política de solidariedade.
Amado pelos seus concidadãos e pelos inúmeros emigrante e refugiados que a Suécia acolheu durante os governos que chefiou, devido à sua sensibilidade social, recolheu também algumas inimizades e mesmo ódios.
Veio a falecer aos 59 anos, a 28 de Fevereiro: vindo do cinema, de noite e sem os habituais guarda-costas, foi mortalmente atingido a tiro por um desconhecido, num caso que ainda não se encontra encerrado, rodeado de mistério e dúvidas.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Comparativo

Os dados são reais e apontam no sentido que todos sabemos e que muitos teimam em negar. Ou não reagir à inação de forma coerente. A análise tem por base do Distrito de Aveiro, comparando todos os seus concelhos em diversos quadrantes.
Em termos populacionais, vemos que o concelho de Anadia está abaixo da média distrital no que respeita à taxa de crescimento efectivo e de crescimento natural, na taxa bruta de natalidade e mortalidade e indíce de envelhecimento (o pior do distrito): seja, a população do concelho de Anadia é cada vez mais velha, por força disso vem diminuindo, visto que, aliado ao número de óbitos crescente está associado um número de nascimentos cada vez mais reduzido. Em comparação com concelhos vizinhos (Águeda, Oliveira do Bairro e Mealhada) os dados são muito negativos: Anadia está, a olhos vistos, a perder terreno.
Somos dos concelhos do distrito de Aveiro com maior número de extensões de saúde, mas temos menor poder de compra que a média do distrito (sexto pior concelho na relação per capita e com uma diferença superior a 10%, para menos), sendo que apresentamos um parâmetro negativo neste campo se comparados com os restantes concelhos da Bairrada.
Somos o terceiro pior concelho do distrito no que toca ao acesso a sistema de drenagem de águas residuais (pior da Bairrada) e apenas 21% da população é servida por ETAR's (pior da Bairrada).
Somos dos quintos concelhos com mais médicos por 1000 habitantes (melhor da Bairrada), o segundo concelho do distrito com menor montante de crédito à habitação por habitante (sinal da ruralidade do concelho, em primeiro lugar, mas também da fuga de munícipes para concelhos vizinhos).
A estatística é oficial. As respostas, quais serão?


sexta-feira, 18 de abril de 2008

Entrevista ao Semanário da Região Bairradina

Foi publicada, a 15 de Abril, a entrevista que concedi, enquanto Coordenador da Concelhia de Anadia da Juventude Socialista, ao Semanário da Região Bairradina; transcrevo-a:
"No concelho de Anadia não há debate de ideias"
O Museu do Vinho da Bairrada, em Anadia, foi o local escolhido para a apresentação pública dos elementos que constituem os órgãos da Juventude Socialista (JS) de Anadia; de referir que esta estrutura esteve inactiva durante três anos.
André Ferreira de Oliveira, Coordenador do Secretariado, referiu ao RB que "a JS foi retomada por imperativos de cidadania. O nosso objectivo é despertar as pessoas para os assuntos que, normalmente, não são debatidos no concelho, como o Ambiente, a Educação Sexual, as Minorias Sexuais, a Exclusão e a Cidadania".
"É necessário que as pessoas intervenham e participem activamente na criação de alternativas e que acreditem em causas", frisou.
A JS vai pautar o seu trabalho por uma forte intervenção no terreno, no sentido de auscultar as preocupações das populações e os seus nseios. "Pretendemos ter uma acção mais abrangente", afirmou.
O líder da Juventude Socialista diz que no concelho de Anadia "tem havido uma aposta na política de construção, em detrimento do factor humano".
André Ferreira de Oliveira realçou que o concelho tem 10 por cento de analfabetos, 70 por cento das pessoas têm apenas o ensino básico e a população está cada vez mais envelhecida. "Nada se tem feito para inverter esta situação, no sentido de atrair os jovens para Anadia. Assiste-se a uma deslocação de jovens para concelhos vizinhos, onde as condições são melhores", salientou.
O responsável pelos jovens socialistas diz que "há formas de o Poder Local intervir". Deixou no ar algumas medidas que poderiam ser tomadas, nomeadamente a atribuição de terrenos aos jovens para se fixarem no concelho, assim como permitir uma construção a preços controlados. Segundo André Ferreira de Oliveira "não existe uma estratégia definida no concelho em diversos sectores".
Referiu o facto da sede do concelho deixar de ter vida a partir das 19:00. "Noutros locais limítrofes a vida extra-laboral é pujante. Aqui em Anadia simplesmente não existe", frisou, acrescentando que "as actividades culturais são muito reduzidas. Existem estruturas, mas não há planos para as dinamizar e utilizar".
DEBATE DE IDEIAS É PROFÍCUO
A Juventude Socialista pretende levar a efeito, nos próximos tempos, um conjunto de acções, desde colóquios, acções de rua, até contactos com a população, no sentido de auscultar as necessidades das pessoas do concelho. No entender de André Ferreira de Oliveira, "não se pode manter a população afastada da tomada de decisões. No concelho de Anadia não há debate de ideias". A primeira acção deverá acontecer nos primeiros dias de Maio.
A questão ambiental ocupa um lugar de destaque nas propostas da JS. André Ferreira de Oliveira salientou que "Anadia tem várias falhas no que respeita ao ambiente". Uma das propostas que vão apresentar é a criação de um parque central. "Anadia precisa de um parque virado para a população", salientou o líder da Juventude Socialista. Apontou a zona do Choupal como um bom local para a criação do dito parque. mostrou-se contra a instalação do parque na zona do Complexo Desportivo. "Não faz muito sentido porque é muito periférico, o que obriga à deslocação das pessoas", adiantou.
Considerou que a par dos ecopontos "devia haver, em todas as freguesias, um oleão para a recolha dos óleos alimentares".
Na questão do Mercado Municipal de Anadia, a Juventude Socialista entende que não deve ser deitado abaixo. "Devia-se, pelo menos, manter a fachada principal", afirmou. No restante espaço, criar-se um edifício para albergar os diversos serviços públicos que estão espalhados em Anadia, nomeadamente Segurança Social, Conservatórias, Loja do Cidadão, entre outros. Devia existir ainda um piso para restauração, uma esplanada e espaço de lazer.
Anadia parou no tempo
No que respeita ao centro cívico da cidade, André Ferreira de Oliveira entende que "tem havido, nos últimos tempos, uma descaracterização total da imagem de Anadia. Devia-se aproveitar melhor o que existe. Nota-se que não existe uma estratégia".
Ao nível industrial, "registou-se uma estagnação. Anadia parou no tempo. Os concelhos vizinhos tiveram surtos de desenvolvimento muito grandes", salientou, acrescentando que "não é só criar zonas industriais, é preciso saber que tipo de indústrias se quer para o concelho".
Outra das propostas que os jovens socialistas vão propor é a criação de um Conselho Municipal da Juventude. A proposta vai ser apresentada numa das reuniões da Assembleia Municipal. Será um orgão de apoio ao Município, com competências consultivas, fiscalizadoras e promotoras, no que respeita à politica da juventude.
André Ferreira de Oliveira considerou importante que a "Assembleia Municipal e o Executivo tivessem na sua composiçao jovens". Quanto ao trabalho que irão desenvolver, assegurou que "não tem fins eleitoralistas, nem visa captar votos. Queremos apenas contribuir para que haja uma maior tolerância à diferença e despertar as pessoas para que não tenham medo de falar dos seus anseios".

Apresentação dos órgãos da Juventude Socialista de Anadia

No passado dia 13 de Abril, pelas 12 horas e no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, teve liugar a apresentação dos órgãos da Concelhia de Anadia da juventude Socialista.
No evento participaram seis dezenas de pessoas, num ambiente de cordialidade, alegria e requinte, que a todos deixou satisfeitos.
Após a recepção dos convidados teve início uma visita guiada, coordenada pelo director do Museu, Pedro Dias, que conduziu os visitantes ao longo das exposições patentes no espaço, nomeadamente a mais recente e com o tema "Sua Majestade, o Rei", dedicada ao leitão e com obras de renomados artistas nacionais e estrangeiros (entre outros, Júlio Pomar, Gerard Mas e Onik).
Seguiu-se à visita um discruso, por mim feito, de apresentação dos titulares dos órgãos e das linhas mestras da futura actuação da Concelhia de Anadia da Juventude Socialista, algumas delas já explanadas aquando da entrevista concedida ao Semanário da Região Bairradina.
Os convidados e militantes da estrutura poderam então deliciar-se com um magnífico almoço, organizado por Olga Silva: toda a atenção, dedicação e extrema qualidade que por ela foram empregues na organização do evento muito sensibilizaram todos os presentes, generosos nos (mais que merecidos) elogios.
Aqui fica uma singela, mas sentida, palavra de agradecimento: Clara, MUITO OBRIGADO!

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Concelhia de Anadia da Juventude Socialista

No passado dia 29 de Março decorreram as eleições para os órgãos da Concelhia de Anadia da Juventude Socialista. Foram eleitos, por unanimidade, os membros da Mesa da Assembleia e do Secretariado Concelhio.
A Mesa da Assembleia é composta por Vera Ferreira, como Presidente, e por Hugo Oliveira e Tiago Coelho, ambos Secretários.
O Secretariado é composto por mim e por Nuno Figueiredo, Paula Ferreira, Tiago Conde e Tiago Coelho.
No mesmo acto eleitoral foram eleitos os dois representantes da Juventude Socialista na Comissão Politica Concelhia de Anadia do Partido Socialista: Vera Ferreira e Tiago Conde.
Exercerei as funções de Coordenador, representando externamente a Concelhia, igaulmente tendo lugar no Secretariado do Partido Socialista, por inerência estatutária.
A Concelhia de Anadia da Juventude Socialista irá apostar em acções de divulgação e sensibilização junto dos cidadãos do concelho, sobretudo dos jovens, numa política de proximidade, auscultando as necessidades dos mesmos e trabalhando de forma próxima com todos aqueles que, como ela, pugnam pelo desenvolvimento da população de Anadia.
A apresentação pública dos órgãos da Concelhia ora eleita será feita no próximo dia 13 de Abril, pelas 12 horas, no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Interpelação

Hoje houve reunião pública da Câmara Municipal de Anadia.

Aproveitei o ensejo para colocar algumas questões ao Sr. Presidente de Câmara, na maioria relacionadas com questões neste blog já tratadas.

Questionei-o acerca do estado de trabalhos da ETAR de Mogofores: perante os protestos da população, cansada do cheiro nauseabundo, verdadeiro atentado para a saúde pública dos munícipes de Anadia, transmitíu aos órgãos de comunicação social local e regional que, no espaço de um mês, a situação estaria tratada e a estação desactivada. Hoje assegurou que no final deste mês, início de Abril, estaria o problema eliminado. A situação apenas não fora resolvida anteriormente porque a estação elevatória Avelãs de Caminho/Sangalhos, ainda não entrara em funcionamento, por culpa do empreiteiro.

Foi colocada questão relativamente ao estado da Ponte de Canha: foi dito que a obra, da Administração Central e com projecto aprovado, já se encontrava adjudicada, não avançando por falta de dotação por parte da Tutela, situação a ultrapassar brevemente.

Finalmente, a questão relativa ao Parque da Cidade: questionado sobre se a Câmara Municipal de Anadia havia projectado ou iria projectar um parque para Anadia, o Sr. Presidente de Câmara disse que já existiam diversos espaços verdes espalhados por Anadia, exemplificando com a Praça Visconde de Seabra, o Choupal, o Monte Castro e o espaço envolvente ao Cemitério.
Foi a pergunta repetida e, então sim, foi dito que a Câmara Municipal de Anadia tinha previsto a construção de um parque e este ficará localizado junto à zona desportiva, no Montouro.

Cumpre dizer:

A situação de Mogofores é por demais conhecida de todos. Apenas quando houve um verdadeiro levantamento popular, com cobertura dos meios de comunicação social, a Câmara Municipal decidíu fazer algo; mas o quê?! Ao fim de anos...Quantos moradores viram depreciado o valor dos seus prédios?
A situação é atentatória da saúde pública: algo foi feito?!

Relativamente à Ponte de Canha, local constransgente do tráfego rodoviário de e para Aveiro (norte de Portugal, via A17 e interior do país via IP3), a justificação está dada: a culpa é do Governo! Mas foi ou não dito publicamente que a obra seria da competência do Município de Anadia?

A questão do Parque da Cidade...
A definição de parque defendida pela Câmara, na figura do seu Presidente, é deveras singular. Chamar parque público ao Choupal é demasiado grave para nos rirmos: um espaço outrora verde, atulhado ainda nos executivos de Sílvio Cerveira, hoje ocupado por pastagem de cabras, recinto de malha, um quiosque ferrugento e diversos preservativos usados e lenços de papel. Basta olhar...
Chamar espaço verde ao Choupal choca; ainda mais relativamente à Praça Visconde de Seabra (quem a víu, com os canteiros de flores, os castanheiros e os bancos ocupados por dezenas de pessoas...) e junto ao Cemitério (?!), para onde foi transposto o Gingko Biloba (naquela madrugada esquecida, após o arrancamento...).
Finalmente o Monte Castro: mais de metade foi impermeabilizado para se proceder à instalação da Feira do Vinho e da Vinha. Certo que foi limpa essa vertente, e bem, rasgados trilhos, e bem, com o único problema de se ter procedido à aramização dos mesmos. Na outra face, junto ao cemitério, o que temos? Um espaço descuidado, onde chegou a existir um parque infantil com uma zona de refeições, hoje diminuido a improvisado parque de desportos radicais...

Mostra-se, sem dúvida, imprescindível a construção de um parque, e de raiz. A escolha do local pelo executivo mostra-se incorrecta: numa zona periférica, com grande volume de tráfego rodoviário mas sem núcleo urbano de construção, sem pessoas, obrigará à deslocação inútil das mesmas o que, por si só, não funciona como pólo aglutinador.
A zona proposta, do Choupal, beneficia do facto de ser mais central, numa rua com trânsito quase inexistente, além de ser percorrida por um curso natural de água; recuperando um espaço já existente mas necessitando de um reformulamento.

As respostas dadas, à saciedade, provam o desnorte. Mais, a inexistência de qualquer estratégia, in casu em termos de planeamento urbanístico e ambiental, para o concelho de Anadia