terça-feira, 12 de agosto de 2008

Vergonha!

Os Jogos Olímpicos sempre marcaram uma época de união entre povos, permitindo mesmo, num acordo tácito entre chefes de estado e chefias militares, suspender conflitos e acções armadas.
Terminou!
Vladimir Putin, ex-presidente da Federação Russa, agora primeiro-ministro, encontrava-se em Pequim, na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2008, sorridente e deliciado; enquanto as tropas russas iniciavam um bombardeamento massivo, atingindo alvos civis, na luta por um território que dá pelo nome de Ossétia, disputado com a Geórgia, ex-república soviética.
Ainda se mantêm as acções militares, não obstante o apelo ao cessar-fogo; apesar de ter sido anunciado o início de negociações para a abertura de corredores de emergência, permitindo o socorro de civis e o acesso destes a comida e água potável, tropas russas bombardearam mesmo o aeroporto da capital da Geórgia, desactivando alguns radares.
Discipulos de Kyssinger, alegrai-vos: este é um óptimo case-study de real-geopolitic! Logo os responsáveis ucranianos anunciaram a intenção de barrar o acesso dos vasos de guerra russos a águas ucranianas, impedindo-os assim de levarem a cabo um bloqueio naval do território invadido. Os Estados Unidos da América, públicos defensores do estado da Geórgia, exigiram imediato cessar-fogo.
E milhares de deslocados e centenas de mortos valem pouco...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O regresso!

Alguns dias de férias fazem maravilhas!
De volta, de baterias carregadas e com toda a determinação!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Intervalo...

Serão apenas alguns dias.
Para colocar os escritos em dia e reforçar a inserção no blogue.
Falha minha não ser mais frequente; mas será mudado.
A todos vós desejo umas boas férias, regresso ao ou continuação do trabalho.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

XVI Congresso Nacional da Juventude Socialista






Uma semana volvida, debruço-me sobre ele.
Apresentei duas Moções, uma Sectorial, com o título "DECISÃO - SUPERIOR", aprovada com apenas 5 votos contra e 15 nulos entre cerca de 500 Delegados; e uma de Saudação, aprovada por unanimidade no último dia do Congresso.
A Moção Sectorial gerou um agradável debate, vindo a ser elogiada fortemente pelo Secretário responsável pela área do Ensino Superior, que enalteceu o sentido definido e a simbiose com algumas das propostas de Duarte Cordeiro na sua Moção Estratégica.
Acresce a intervenção, no ponto relativo à discussão das alterações ao Estatuto da Juventude Socialista, acerca da força impositiva da norma que prevê o pagamento de quotas pelos militantes: num nóvel Estatuto, aprovar letra morta (visto o Secretariado não desejar avançar nesse passo) parece-me vazio de conteúdo e contraproducente, prejudicando as novas normas introduzidas e alterações das existentes.
Dois dias de debate doutrinal, de contacto com Delegados de todo o país, eivados da mesma ideologia e do desejo de trabalhar em prol da população portuguesa; em que se debateu, de forma livre, assuntos que muitas vezes ficam a coberto da penumbra, como o casamento e adopção por casais homossexuais, igualdade de género, educação sexual.
Não obstante a existência de listas únicas para todos os órgãos nacionais, o Congresso não foi apenas um passeio triunfal: recorde-se a intervenção de João Pina, membro do Secretariado Nacional, que se opôs à institucionalização do sistema de quotas de género.
Uma página foi volvida: Duarte Cordeiro sucedeu a Pedro Nuno Santos; ao novo Secretário Geral desejam-se as maiores felicidades, sendo que contará com o meu contributo, não apenas a nível de congressos, no trabalho pelos jovens portugueses e o futuro de Portugal.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Aniversário


Hoje celebra 90 anos de idade um dos maiores seres humanos vivos: Nelson Mandela.
Uma das pessoas que mais admiro.
Gostaria de, como ele, poder perdoar sempre a quem não é correcto, injusto, imoral; 27 anos de clausura fizeram com que um Homem submetido ao ódio desenvolvesse uma capacidade espantosa de dialogar, de envolver, de cativar. Fazendo com que um regime indecente, de "apartheid", caísse pela força da palavra. Com De Clerk, co-galardoado com o Prémio Nobel, protagonizou um dos momentos mais belos a que assisti.
Os julgamentos de Rivonia constituirão um dos mais abjectos sinais da iniquidade do poder.
Quando foi libertado, transmitido em directo, interrompeu o programa de marionetas animadas a que assistia: era Domingo, 11 de Fevereiro de 1990, almoçava em casa da minha avó paterna, e o programa nunca mais era retomado; porquê, pensava eu, acompanham durante tanto tempo uma pessoa que sai de uma prisão?
Porque é Nelson Mandela!
Madiba.
Presidente da África do Sul, com nova bandeira, multicolor e multiracial. Arauto da luta contra o vírus HIV/SIDA.

Cidadão do Mundo, orador, democrata, humanista.

Simplesmente, NELSON MANDELA.

MUITO OBRIGADO!

terça-feira, 6 de maio de 2008

"É proibido proibir"

Comemora-se este ano o quadragésimo aniversário do movimento social que ficou conhecido como o "Maio de 68".
Foi, na opinião de muitos, o movimento sócio-cultural mais importante do século XX, verdadeira mecha na mudança de costumes.
Reduzi-lo a um mero movimento estudantil, secundado por trabalhadores grevistas, ou a uma mera libertinagem de levianos, é falha que se não aceita.
Mesmo que os líderes, utilizando dizeres de então, se tenham "aburgesado", que o "é obrigatório ter prazer" tenha que ser lido à luz dos tempos de hoje, as mudanças de mentalidade foram enormes.
Sarkozy defende a morte do Maio de 1968; será a solução?
As revoluções têm que ser vistas dessa forma, como processos de ruptura, conduzidos pelo subconsciente do Homem, afastando muitas vezes os avisados e ponderados em detrimento dos apaixonados. Em tempos desses, quem rouba mesas é rei!
O Maio de 1968, visto na imprensa portuguesa da época como um movimento de desordeiros, com dedo anarquita e comunistas (lá iriam comer as cirancinhas ao pequeno-almoço...) foi a mola necessária após o movimento estudantil de 1962 e que precedeu a crise de Coimbra de 69.
Muitos dos seus feitores ocupam hoje cargos de relevo na vida pública e política portuguesa.
E são uma demonstração clara que a acção produz resultado.
Que conseguimos.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Social democracia e suas figuras

É usual colocar-se a questão doutrinária das diferenças políticas entre o socialismo, a social-democracia e o liberalismo social. Mais importante que as querelas, são as políticas: a social-democracia, de que o Partido Socialista é herdeiro, que marca a matriz da Juventude Socialista, é a doutrina por mim defendida.
Solidariedade, Estado Providência, Coesão Social dialogante. Um tríptico que não é apenas um enumerar de boas intenções.
Diferente quadrante geográfico, mas a prova que a social-democracia é um sistema eficaz; conduzida por um homem que não conseguiu cumprir totalmente a sua função.
Olaf Palme
Nasceu a 30 de Janeiro de 1927 no seio de uma família próspera de classe média, tendo perdido o pai quando tinha 7 anos; era uma criança frágil, que dedicou muito tempo à leitura e à aprendizagem de línguas estrangeiras.
Enquanto estudante, por diversas vezes se deslocou aos Estados Unidos da América e ao Médio Oriente.
Em 1953 Tage Erlander, então primeiro-ministro, atribui-lhe a posição de secretário pessoal; dois anos depois é eleito membro do secretariado nacional da juventude social democrata.
As ideias força de Olaf Palme assentam sobre seis pontos: fim das diversas formas de colonialismo; o direito à auto determinação dos povos; a necessidade de uma nova ordem enconómica mundial; a luta contra o racismo; a procura da igualdade de direitos; a democratização da educação.
Defendia que o pleno emprego e um sector público forte eram os mais fortes sustentáculos da procura da igualdade entre os diferentes grupos sociais e entre os sexos. Defendia Estado Providência forte: todos, independentemente dos rendimentos que auferiam, deveriam beneficiar do sistema de segurança social, o que permitiria manter o traço de solidariedade e a vontade de pagar as taxas devidas, além de permitir evitar uma desigualdade material, obstando a que os mais ricos obtivessem vantagens derivadas da sua condição económica.
Foi ministro sem pasta em 1963, ministro da comunicação em 1965, ministro da educação em 1967 e, após a demissão de Tage Erlander, foi eleito secretário-geral do Partido Social Democrata, posteriormente vindo a ser eleito primeiro-ministro sueco.
A luta contra o desemprego era erigida como objectivo primeiro da social democracia, mesmo contra os liberais e os adventistas do mercado livre, não perdendo de vista um Estado forte, com fortes sindicatos e uma política de solidariedade.
Amado pelos seus concidadãos e pelos inúmeros emigrante e refugiados que a Suécia acolheu durante os governos que chefiou, devido à sua sensibilidade social, recolheu também algumas inimizades e mesmo ódios.
Veio a falecer aos 59 anos, a 28 de Fevereiro: vindo do cinema, de noite e sem os habituais guarda-costas, foi mortalmente atingido a tiro por um desconhecido, num caso que ainda não se encontra encerrado, rodeado de mistério e dúvidas.