quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O preço...

Cessar fogo na Ossétia, sim.
Mas a que preço? Humilhando um estado independente, bombardeando alvos civis (incluindo hospitais), reduzindo a quase nula a capacidade de defesa georgiana.
E o papel de Sarkozy?! Tanta soberba apresenta o galanteador gaulês, mas baixou a cabeça em acto de contrição. Ter o Ministro dos Estrangeiros francês a exigir que o que foi negociado tem que ser transformado em Resolução da ONU para se tornar juridicamente vinculativo é escarnecer do sofrimento de dezenas de milhares; tanta fleuma...
"Dove é" Durão Barroso? Para aqueles que não se recordam, Presidente da Comissão Europeia...
A Federação Russa sai claramente vencedora da contenda: afirmou o seu poderio geo-estratégico, pôs em sentido União Europeia e Estados Unidos da América, retomou as rédeas do status quo.

Desconstrução e Construção

Há 47 anos começava a construção de um marco que fiou conhecido como o Muro de Berlim: mais do que a barreira física, a barreira social e política, separando uma cidade e dois mundos.
No final da 2ª Grande Guerra, com a partilha dos despojos pelos principais estados Aliados, a cidade de Berlim foi dividida por sectores, colocados sobre duas esferas de influência diversas, originando dois estados na antiga Alemanha: a RFA, pró-ocidental e capitalista, e a RDA, pró-soviética e pró-socialista de estado, integrando o Pacto de Varsóvia.
Ficaram célebres as tentativas de fugas desesperadas de cidadãos da RDA, procurando asilo do racionamento, da plenipotente regulaçao da sua vida diária, dos desmandos de poder: basta pensar que o regime da RDA foi defensor da acção soviética em Praga...Um regime que, e porque a época é de ode ao desporto, de forma a perpetuar o poder e reforçá-lo perante o exterior, não se coibiu de recorrer a um programa de dopagem que provocou até alterações de sexo entre praticantes, abortos espontâneos em atletas, alterações hormonais profundas...
Na data era chanceler da RFA Konrad Adenaur, destacado político democrata-cristão, preso num campo de concentração nazi como opositor ao regime, pró-europeu e pró-ocidental.
Era Willy Brandt presidente da Câmara de Berlim: um dos rostos maiores da social-democracia europeia, tornar-se-ia chanceler alemão em 1969, mantendo-se no exercício do cargo durante 5 anos; galardoado com o Prémio Nobel da Paz (ficará sempre na memória o ajoelhar dele em Varsóvia perante o memorial às vítimas do Gueto construído pelo regime nazi), pacificador (encontrou-se com Yasser Arafat, Goarbachov, Saddam Hussein e o homólogo da RDA, Erich Honecker), presidente da Internacional Socialista.
Anos a fio foram famílias separadas, vidas destruídas e impedidas da felicidade por causa de um muro: intransponível, as centenas de pessoas que o tentaram escalar acabaram mortas ou presas (a pena era, no mínimo, de 2 anos de prisão). Décadas a fio os cidadãos da RDA, sobretudo os berlinenses, viam o progresso social e económico dos seus vizinhos e conterrâneos, do mesmo não podendo comungar, subjugados a uma noção estatizante e plenipotenciária de governo, à imagem de Moscovo e dos seus satélites: com uma polícia de estado, a Stasi, cujos atropelos aos direitos humanos são por demais conhecidos e ainda hoje se vão progressivamente conhecendo.
O Muro de Berlim caíu a 9 de Novembro de 1989: assisti ao acto, lembrando-me da felicidade espelhada na face de milhares de berlinenses, ávisos de liberdade!
Recordo pessoas em cima de trechos de muro com simples escopos, quebrando milimetricamente as grilhetas do passado, com uma força sobre-humana que a verdade e a razão dão aos justos.
E duas imagens simbólicas: quando dezenas de populares, prendendo uma corda a um pedaço maior de muro, o derrubaram, com a poeira a encher-lhes a alma, e as dezenas de milhares de pessoas nas Portas de Brandenburgo, símbolo eterno de liberdade, outrora inacessível a todos os alemãos orientais, como a todos os cidadãos dos países do Pacto de Varsóvia.
A influência da queda do Muro foi enorme: conhecemos o desmoronar do regime soviético, a Perestroika de Mickhail Gorbachov, o fim da URSS, o aparecimento de novos estados no Báltico, Cáucaso, Urais, na zona ocidental asiática.
A História não fez jus à acção de Gorbachov: um Prémio Nobel da Paz, mas o desprezo dos seus concidadãos, a vergonha da sua deposição, o estilhaçar do seu contributo para a democracia.
O Muro de Berlim permaneceu erguido 28 anos: produto de uma época instável, de conflito latente, que por pouco não desembocou em mais um conflito de escala mundial, com recurso a armas nucleares.
Existe, em Berlim, um Memorial ao Muro: que nunca deixe de existir.
Pois as grilhetas do passado jamais poderão abraçar os pulsos do futuro.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Vergonha!

Os Jogos Olímpicos sempre marcaram uma época de união entre povos, permitindo mesmo, num acordo tácito entre chefes de estado e chefias militares, suspender conflitos e acções armadas.
Terminou!
Vladimir Putin, ex-presidente da Federação Russa, agora primeiro-ministro, encontrava-se em Pequim, na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2008, sorridente e deliciado; enquanto as tropas russas iniciavam um bombardeamento massivo, atingindo alvos civis, na luta por um território que dá pelo nome de Ossétia, disputado com a Geórgia, ex-república soviética.
Ainda se mantêm as acções militares, não obstante o apelo ao cessar-fogo; apesar de ter sido anunciado o início de negociações para a abertura de corredores de emergência, permitindo o socorro de civis e o acesso destes a comida e água potável, tropas russas bombardearam mesmo o aeroporto da capital da Geórgia, desactivando alguns radares.
Discipulos de Kyssinger, alegrai-vos: este é um óptimo case-study de real-geopolitic! Logo os responsáveis ucranianos anunciaram a intenção de barrar o acesso dos vasos de guerra russos a águas ucranianas, impedindo-os assim de levarem a cabo um bloqueio naval do território invadido. Os Estados Unidos da América, públicos defensores do estado da Geórgia, exigiram imediato cessar-fogo.
E milhares de deslocados e centenas de mortos valem pouco...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O regresso!

Alguns dias de férias fazem maravilhas!
De volta, de baterias carregadas e com toda a determinação!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Intervalo...

Serão apenas alguns dias.
Para colocar os escritos em dia e reforçar a inserção no blogue.
Falha minha não ser mais frequente; mas será mudado.
A todos vós desejo umas boas férias, regresso ao ou continuação do trabalho.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

XVI Congresso Nacional da Juventude Socialista






Uma semana volvida, debruço-me sobre ele.
Apresentei duas Moções, uma Sectorial, com o título "DECISÃO - SUPERIOR", aprovada com apenas 5 votos contra e 15 nulos entre cerca de 500 Delegados; e uma de Saudação, aprovada por unanimidade no último dia do Congresso.
A Moção Sectorial gerou um agradável debate, vindo a ser elogiada fortemente pelo Secretário responsável pela área do Ensino Superior, que enalteceu o sentido definido e a simbiose com algumas das propostas de Duarte Cordeiro na sua Moção Estratégica.
Acresce a intervenção, no ponto relativo à discussão das alterações ao Estatuto da Juventude Socialista, acerca da força impositiva da norma que prevê o pagamento de quotas pelos militantes: num nóvel Estatuto, aprovar letra morta (visto o Secretariado não desejar avançar nesse passo) parece-me vazio de conteúdo e contraproducente, prejudicando as novas normas introduzidas e alterações das existentes.
Dois dias de debate doutrinal, de contacto com Delegados de todo o país, eivados da mesma ideologia e do desejo de trabalhar em prol da população portuguesa; em que se debateu, de forma livre, assuntos que muitas vezes ficam a coberto da penumbra, como o casamento e adopção por casais homossexuais, igualdade de género, educação sexual.
Não obstante a existência de listas únicas para todos os órgãos nacionais, o Congresso não foi apenas um passeio triunfal: recorde-se a intervenção de João Pina, membro do Secretariado Nacional, que se opôs à institucionalização do sistema de quotas de género.
Uma página foi volvida: Duarte Cordeiro sucedeu a Pedro Nuno Santos; ao novo Secretário Geral desejam-se as maiores felicidades, sendo que contará com o meu contributo, não apenas a nível de congressos, no trabalho pelos jovens portugueses e o futuro de Portugal.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Aniversário


Hoje celebra 90 anos de idade um dos maiores seres humanos vivos: Nelson Mandela.
Uma das pessoas que mais admiro.
Gostaria de, como ele, poder perdoar sempre a quem não é correcto, injusto, imoral; 27 anos de clausura fizeram com que um Homem submetido ao ódio desenvolvesse uma capacidade espantosa de dialogar, de envolver, de cativar. Fazendo com que um regime indecente, de "apartheid", caísse pela força da palavra. Com De Clerk, co-galardoado com o Prémio Nobel, protagonizou um dos momentos mais belos a que assisti.
Os julgamentos de Rivonia constituirão um dos mais abjectos sinais da iniquidade do poder.
Quando foi libertado, transmitido em directo, interrompeu o programa de marionetas animadas a que assistia: era Domingo, 11 de Fevereiro de 1990, almoçava em casa da minha avó paterna, e o programa nunca mais era retomado; porquê, pensava eu, acompanham durante tanto tempo uma pessoa que sai de uma prisão?
Porque é Nelson Mandela!
Madiba.
Presidente da África do Sul, com nova bandeira, multicolor e multiracial. Arauto da luta contra o vírus HIV/SIDA.

Cidadão do Mundo, orador, democrata, humanista.

Simplesmente, NELSON MANDELA.

MUITO OBRIGADO!