sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Igualdade?!

O relatório de 2007 do Eurofund (Fundação Europeia para a melhoria das condições de vida e de trabalho), relativo aos aumentos salariais nos países da União Europeia, foi publicado, mostrando-nos dados inadmissíveis no que à questão da igualdade de género (e de idades) diz respeito: Em 2007, na União Europeia, as trabalhadoras ganhavam, em média, menos 15,9% do que os trabalhadores.
Os dados portugueses são chocantes: em 2007 as trabalhadoras portuguesas receberam, como contraprestação do seu trabalho, em média, apenas 74,6% do vencimento auferido pelos homens! Na Espanha, no nosso quadrante geográfico e cultural, as mulheres ganhavam, em média, 89% do auferido pelos homens, sendo que na Grécia a percentagem sobe para os 90%. mesmo atendendo ao facto dos dados da Grécia serem relativos a 2006, a diferença é abismal, sendo que diferença alguma é admissível.
Na União Europeia a 27 apenas a Eslováquia apresenta resultados mais vergonhosos que o português, sendo que a Eslovénia é o pais em que a diferença entre sexos é menor, 93,1%.
Diferença sexista inadmíssivel, como dissemos: os diplomas legais existem, com eles as implicações legais do desrespeito pelas normas, mas a mentalidade mantém-se.
Sendo certo que a diferença de vencimentos entre sexos tem vindo a decrescer, na União Europeia, desde 2005, baixando quase 10 pontos percentuais relativos, certo é que a diferença diminui muito lentamente, verificando-se mesmo ligeiros aumentos (casos da Alemanha, malta, República Checa e Portugal).
Num país em que o emprego é precário em muitos sectores, caoss preocupantes são os de jovens e mulheres: as últimas pela pretensa (na perspectiva do patronato) fragilidade e deficiência produtiva (aliado à visão retrógrada e retorcida que uma mulher é mãe, dona de casa, educadora, pelo que a função de trabalhadora sairá prejudicada...), os primeiros por serem "carne para canhão" muito fresca e em quantidade tal que a reduzida procura esmaga a imensa oferta, podendo mesmo manipular-se este sistema de (teórico) equilíbrio de valores sem dificuldades de maior.
Uma das maiores conquistas do 25 de Abril foi, a meu ver, relativo á condição feminina: as mulheres passaram a poder ser, não apenas o que queriam mas também o que não conheciam; no plano meramente formal o avanço português dá palma na Europa eno mundo, pelo muito que se cresceu em tão pouco tempo (três décadas...). Demasiado se encontra por fazer.
E dados destes reforçam a conclusão.
"Alea acta est".

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Mais uma deriva

Mais um presente: cada vez que o senhor profere um discurso, mais um título de jornal.
Agora admite a criação de um novo partido político, com uma matriz ideológica tão vasta como o Saara, combatendo os mauzões de Lisboa, visto que na oposição portuguesa organizada formalmente através de partidos políticos apenas o PCP é sério e credível...
Porque o Partido Socialista se está a transformar na União Nacional....
Comentar nem vale a pena; apenas chamar a atenção: era por isto que Alberto João Jardim estava quase nos braços de Pedro Santana Lopes, outra mina de ouro para a comunicação social, adepto de um novo espaço no espectro político-partidário?
Ou, de forma séria, não estaremos perante mais um ataque ao porta-aviões, mais um recado interno, mais um "agarra-me senão vou a ela"? Sim, porque tentativas de derivas partidárias em Portugal são conhecidas pelo sucesso...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Coincidências...

Responsáveis políticos polacos e americanos preparam-se para assinar, em Varsóvia, capital polaca, o acordo que permitirá aos Estados Unidos da América, em mais uma decisão "à la Bush", instalar na Polónia, primeiro de vários estados europeus, um sistema de protecção do solo americano composto por rampas de mísseis de intercepção.
A celebração do acordo foi antecipada, sendo que o sistema estará activado na totalidade em 2012.
Foi mais um passo no plano americano, que contempla a colocação de misseís em mais estados europeus e de radares, o que já foi feito, há sensivelmente um mês, na República Checa.
Tendo em conta a ofensiva russa na Ossétia e Geórgia, paredes meias com a Polónia, "one wonders...".

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O preço...

Cessar fogo na Ossétia, sim.
Mas a que preço? Humilhando um estado independente, bombardeando alvos civis (incluindo hospitais), reduzindo a quase nula a capacidade de defesa georgiana.
E o papel de Sarkozy?! Tanta soberba apresenta o galanteador gaulês, mas baixou a cabeça em acto de contrição. Ter o Ministro dos Estrangeiros francês a exigir que o que foi negociado tem que ser transformado em Resolução da ONU para se tornar juridicamente vinculativo é escarnecer do sofrimento de dezenas de milhares; tanta fleuma...
"Dove é" Durão Barroso? Para aqueles que não se recordam, Presidente da Comissão Europeia...
A Federação Russa sai claramente vencedora da contenda: afirmou o seu poderio geo-estratégico, pôs em sentido União Europeia e Estados Unidos da América, retomou as rédeas do status quo.

Desconstrução e Construção

Há 47 anos começava a construção de um marco que fiou conhecido como o Muro de Berlim: mais do que a barreira física, a barreira social e política, separando uma cidade e dois mundos.
No final da 2ª Grande Guerra, com a partilha dos despojos pelos principais estados Aliados, a cidade de Berlim foi dividida por sectores, colocados sobre duas esferas de influência diversas, originando dois estados na antiga Alemanha: a RFA, pró-ocidental e capitalista, e a RDA, pró-soviética e pró-socialista de estado, integrando o Pacto de Varsóvia.
Ficaram célebres as tentativas de fugas desesperadas de cidadãos da RDA, procurando asilo do racionamento, da plenipotente regulaçao da sua vida diária, dos desmandos de poder: basta pensar que o regime da RDA foi defensor da acção soviética em Praga...Um regime que, e porque a época é de ode ao desporto, de forma a perpetuar o poder e reforçá-lo perante o exterior, não se coibiu de recorrer a um programa de dopagem que provocou até alterações de sexo entre praticantes, abortos espontâneos em atletas, alterações hormonais profundas...
Na data era chanceler da RFA Konrad Adenaur, destacado político democrata-cristão, preso num campo de concentração nazi como opositor ao regime, pró-europeu e pró-ocidental.
Era Willy Brandt presidente da Câmara de Berlim: um dos rostos maiores da social-democracia europeia, tornar-se-ia chanceler alemão em 1969, mantendo-se no exercício do cargo durante 5 anos; galardoado com o Prémio Nobel da Paz (ficará sempre na memória o ajoelhar dele em Varsóvia perante o memorial às vítimas do Gueto construído pelo regime nazi), pacificador (encontrou-se com Yasser Arafat, Goarbachov, Saddam Hussein e o homólogo da RDA, Erich Honecker), presidente da Internacional Socialista.
Anos a fio foram famílias separadas, vidas destruídas e impedidas da felicidade por causa de um muro: intransponível, as centenas de pessoas que o tentaram escalar acabaram mortas ou presas (a pena era, no mínimo, de 2 anos de prisão). Décadas a fio os cidadãos da RDA, sobretudo os berlinenses, viam o progresso social e económico dos seus vizinhos e conterrâneos, do mesmo não podendo comungar, subjugados a uma noção estatizante e plenipotenciária de governo, à imagem de Moscovo e dos seus satélites: com uma polícia de estado, a Stasi, cujos atropelos aos direitos humanos são por demais conhecidos e ainda hoje se vão progressivamente conhecendo.
O Muro de Berlim caíu a 9 de Novembro de 1989: assisti ao acto, lembrando-me da felicidade espelhada na face de milhares de berlinenses, ávisos de liberdade!
Recordo pessoas em cima de trechos de muro com simples escopos, quebrando milimetricamente as grilhetas do passado, com uma força sobre-humana que a verdade e a razão dão aos justos.
E duas imagens simbólicas: quando dezenas de populares, prendendo uma corda a um pedaço maior de muro, o derrubaram, com a poeira a encher-lhes a alma, e as dezenas de milhares de pessoas nas Portas de Brandenburgo, símbolo eterno de liberdade, outrora inacessível a todos os alemãos orientais, como a todos os cidadãos dos países do Pacto de Varsóvia.
A influência da queda do Muro foi enorme: conhecemos o desmoronar do regime soviético, a Perestroika de Mickhail Gorbachov, o fim da URSS, o aparecimento de novos estados no Báltico, Cáucaso, Urais, na zona ocidental asiática.
A História não fez jus à acção de Gorbachov: um Prémio Nobel da Paz, mas o desprezo dos seus concidadãos, a vergonha da sua deposição, o estilhaçar do seu contributo para a democracia.
O Muro de Berlim permaneceu erguido 28 anos: produto de uma época instável, de conflito latente, que por pouco não desembocou em mais um conflito de escala mundial, com recurso a armas nucleares.
Existe, em Berlim, um Memorial ao Muro: que nunca deixe de existir.
Pois as grilhetas do passado jamais poderão abraçar os pulsos do futuro.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Vergonha!

Os Jogos Olímpicos sempre marcaram uma época de união entre povos, permitindo mesmo, num acordo tácito entre chefes de estado e chefias militares, suspender conflitos e acções armadas.
Terminou!
Vladimir Putin, ex-presidente da Federação Russa, agora primeiro-ministro, encontrava-se em Pequim, na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2008, sorridente e deliciado; enquanto as tropas russas iniciavam um bombardeamento massivo, atingindo alvos civis, na luta por um território que dá pelo nome de Ossétia, disputado com a Geórgia, ex-república soviética.
Ainda se mantêm as acções militares, não obstante o apelo ao cessar-fogo; apesar de ter sido anunciado o início de negociações para a abertura de corredores de emergência, permitindo o socorro de civis e o acesso destes a comida e água potável, tropas russas bombardearam mesmo o aeroporto da capital da Geórgia, desactivando alguns radares.
Discipulos de Kyssinger, alegrai-vos: este é um óptimo case-study de real-geopolitic! Logo os responsáveis ucranianos anunciaram a intenção de barrar o acesso dos vasos de guerra russos a águas ucranianas, impedindo-os assim de levarem a cabo um bloqueio naval do território invadido. Os Estados Unidos da América, públicos defensores do estado da Geórgia, exigiram imediato cessar-fogo.
E milhares de deslocados e centenas de mortos valem pouco...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O regresso!

Alguns dias de férias fazem maravilhas!
De volta, de baterias carregadas e com toda a determinação!