sexta-feira, 31 de julho de 2009

Em que é que ficamos?

Foi anunciado que Anadia terá nova Escola Secundária e nova Escola Básica 2/3: tais equipamentos ficarão localizados junto ao Complexo Desportivo de Anadia, para rentabilizar os equipamentos desportivos existentes (campos de ténis, piscinas, pavilhão), a utilizar pelos alunos.
Coloco uma questão:
Há não muitos meses os vereadores do PS recusaram a instalação de uma unidade fabril, destinada à produção de energia eléctrica, porquanto os fumos a emitir seriam perigosos, sendo que naquela zona existem equipamentos desportivos; seja, recusaram a instalação de uma unidade que criaria novos empregos, com tecnologia de ponta, porque os jovens e adultos que praticam desporto naquela zona já seriam demasiado prejudicados com a poluição gerada pelas fábricas próximas.
E agora?
Que dizem da instalação das escolas naquela zona? Deixaram de ser válidos tais argumentos? As fábricas deixaram de ser poluentes ou mudaram de local?
Defendi e defendo que, realizados os estudos de impacto ambiental e sendo os resultados validados, cumprindo os ditames ambientais a central energética seria bem acolhida, marcando aliás um novo rumo no que ao tipo de indústrias existem no município.
Tecnologia limpa, energia alternativa, postos de trabalho qualificados, são factores de atracção, rejeitados por motivos que me pareceram e parecem pouco justificados.
Por lógica de coerência, votarão agora os vereadores do PS contra a instalação das escolas na zona?
Também importante: que destino pretende a Câmara Municipal de Anadia dar aos terrenos onde se situam actualmente as escolas?
Que contrapartidas estão em cima da mesa?
Que informação será dada aos munícipes?
A questão é demasiado importante para ficar reservada apenas aos orgãos formais e aos partidos, pela importância crucial nos anos futuros; haverá discussão pública a respeito?
Aguardemos...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Deles, nem sequer uma gota de sangue...

"Dar sangue é segurar vidas", lê-se no sítio da Internet do Instituto Português do Sangue.
Mas depende de quem dá...
As recentes declarações do responsável máximo deste organismo, Gabriel Olim, mais do que precárias do ponto de vista médico, são atentatórias da dignidade humana: "Se a pessoa estiver anémica, a tomar medicamentos ou se for heterossexual e tiver tido um novo parceiro nos últimos seis meses, também não vamos aceitar esse sangue",; e acrescenta "nada ter contra os homossexuais".
Henrique Barros, Coordenador Nacional para a Infecção VIH/SIDA, defende que deixaram de existir grupos de risco, rejeitando que os homossexuais tenham uma taxa de VIH superior aos heterossexuais.
Aliás, acrescento, se existe "grupo de risco" que maior esforço levou a cabo no sentido de reduzir a incidência do vírus foi, precisamente, das/dos homossexuais.
Esta senha persecutória à população homossexual é alarmante: estigmatizada ao máximo, nem sequer lhes é dada a liberdade de poderem dar um pouco de si para salvaram outros; mesmo que, chegando a um extremo, não tenham quaisquer contactos sexuais, há 6 meses ou mais...
A que ponto chegaremos? Um teste de polígrafo para verificar se alguém que se declara heterossexual o é na verdade?
Mais um ponto demonstrativo do atraso sociológico no qual vivemos...

terça-feira, 28 de julho de 2009

Eu, Federalista, me confesso!

Num estudo de opinião com uma amostra de 876 pessoas (363 portugueses), apresentado em Madrid e realizado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Salamanca com o apoio do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE de Lisboa, verifica-se que quase 40% dos portugueses apoiaria a existência de uma federação Ibérica, ideia apoiada por cerca de 30% de espanhóis (tantos quantos aqueles que se mostram indiferentes):
13,3% dos portugueses mostram-se muito de acordo com a criação de tal figura política, 17,7% por cento indiferentes, 34,1% por cento discordam e 18,5% discordam por completo.
A discussão, infelizmente e pelos motivos mais retrógrados, anda afastada dos centros de decisão.
Quem me conhece sabe-me Iberista e Federalista: defendo a existência de um bloco geo-politico-económico na Península Ibérica, como defendo uma Federação Europeia, um super bloco de países europeus, cumprindo o sonho de Jean Monet.
Numa era de globalidade, na qual as tradições são muito mais facilmente preserváveis do que o eram há décadas, onde a multiculturalidade inclusiva produz resultados fascinantes, utilizando um jargão batido, sendo o planeta Terra uma Aldeia Global, é puro maniqueísmo limitarmos a discussão às figuras que conhecemos, sem estudar novos modelos, ainda que apenas teóricos.
E a defesa deve-se menos a razões económicas, motor da maior parte dos iberistas, mas sim a factores sócio-culturais: as similaridades de princípios e modos de vida é demasiado óbvia para negar, e a complementaridade de abordagens contribuiria decerto para fazer a ponte com África e América do Sul.
Em termos práticos, Portugal e Espanha foram o motor da abertura de ideias numa das mais prósperas fases da História Universal (nem tudo foram rosas, não senhor...): reunimos condições para que o possamos fazer novamente, numa fase (que se prolongará) na qual as sinergias são o caminho a seguir.
Lancemos o debate.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Você decide!

“Os homens hã-de aprender que a Política não é a moral e que se ocupa apenas do que é oportuno", Henry Thoreau, filósofo político norte-americano.
Recentes episódios da vida politico-partidária lusa mostram que o pensamento de Thoreau, contra tudo o que é necessário e desejável, muitas vezes se concretiza, deitando por terra os esforços de séculos de procura de conquista, manutenção e reforço da Democracia.
Manuel Pinho teve na Assembleia da República um gesto inadmissível: numa atitude que, mesmo que provocada por comportamentos também indignos de alguns deputados, atentatórios da sua dignidade pessoal, não é compatível com o exercício de funções públicas. Teve Manuel Pinho a dignidade moral de logo apresentar a sua demissão, mas a História recordá-lo-á não como aquele que conseguiu numa altura de crise global conquistas para a economia portuguesa, mas o homem dos chifres; pena, pois Manuel Pinho conseguiu reforçar investimentos estratégicos, dando uma ênfase particular ao domínio das energias alternativas, tornando Portugal um dos países líder a nível mundial; helas, uma imagem demora muito tempo a criar, mas basta um segundo para a destruir…
O nível do debate parlamentar decai grotescamente, sendo a troca de insultos e impropérios uma realidade crescente (recorde-se o “mimo” lançado por José Eduardo Martins a Afonso Candal), a demagogia o campo de debate (veja-se o estilo oratório de cátedra de Francisco Louça, Torquemada para os seus pares e o anúncio de que a bancada do PS aprovava um diploma que levava os jovens de 15 anos de São João da Madeira a coser sapatos em casa….), a pequena política o prato cada vez mais do dia. Manuela Ferreira Leite elogia Santana Lopes como um exemplo democrático de desapego ao poder, afirma o desejo de rasgar políticas de um Governo que não do PSD e, posteriormente, nega aquilo que todos os portugueses ouviram, dizendo concordar com o sentido das propostas que quer rasgar, dizendo-se uma política de verdade…
Os cidadãos vivem cada vez mais voluntariamente arredados das estruturas formais de poder, limitando-se (quando o fazem …) a exercer o seu direito-dever de voto nos actos eleitorais; não acompanhando o exercício dos programas eleitorais apresentados, votados e aprovados, não procurando perceber a razão da não aplicação de tais programas, não exercendo criticamente um indispensável controlo de qualidade.
No Reino Unido e Brasil, mais do que moral, o exercício do direito de voto é uma obrigação legal; em Portugal é apenas um dever cívico (artigo 96º nº 1 da Lei Orgânica 1/2001), só com consequências para as candidaturas à Presidência da República. Têm vindo a surgir vozes reclamando a obrigatoriedade do voto, justificando-se com o alheamento dos cidadãos da vida política, das estruturas politico-partidárias com os cidadãos, de todos com a realidade.
O diálogo estruturas representativas de cidadãos/cidadãos é complexa, desenrola-se a diversos níveis e é bidireccionada: o surgimento e disseminação de formas mais directas de intervenção - vide movimentos de cidadãos, acções populares, movimento associativo - apenas mais é um paliativo, de nada valendo evitar encarar a questão de frente, diabolizando os partidos políticos e defendendo o seu desaparecimento.
O ser politicamente activo é a mais elevada e digna das funções. Ninguém tem que se tornar militante de um partido político ou movimento de cidadãos (não interessando o formato). Nem sequer ser simpatizante de um deles. Mas todos temos o dever de sermos cidadãos de corpo inteiro, informados, preocupados e interventivos, participando de acordo com as possibilidades da vida de cada um no esforço da vida de todos.
Apenas com um esforço comum, com um elevar dos níveis de exigência, com o aparecimento de novos rostos, ideias, modus operandi, se poderão eliminar alguns dos instalados vícios. O esforço tem que ser comum: não é possível aceitar que existam vozes que clamem por uma mudança sem que sejam parte dela, que criticam as estruturas existentes e as não tentem mudar (de dentro ou de fora), que critiquem mas se alheiem por completo, independentemente do motivo.
Em Anadia, que vemos? Sérgio Aidos recandidata-se à Junta de Freguesia de Sangalhos, Litério Marques vê tal gesto como uma afronta pessoal, informando que não é o candidato dele; a Comissão Política do PSD escolhe um candidato à Câmara, os militantes elegem-no em reunião, a Federação rejeita e Litério Marques, em silêncio durante o processo, acaba por ser o candidato.
O CDS-PP passa por um conturbado processo de candidatura à Câmara Municipal de Anadia, indicando primeiro e elegendo depois a mesma pessoa, prejudicada com tal arranque.
A CDU escolhe como candidato o líder dos protestos contra o encerramento das Urgências no Hospital José Luciano de Castro (no qual os utentes, passados todos estes meses, apresentam um muito superior índice de satisfação).
A Comissão Política do PS, sob um “projecto de médio-longo prazo”, estipula o nome de Lino Pintado para a Câmara, não ausculta os militantes - não realiza uma Convenção Autárquica ou plenário de militantes -, estabelecendo como meta a vitória. Anunciou os possíveis vereadores: quão bom seria para o PS se conseguisse eleger Joana Trindade e Nuno Portovedo…
Pergunta-se, quem sai airosamente destes processos? Ninguém! Mas tais situações são correspectivas ao grau de exigência dos munícipes, são um espelho da realidade local!
Estão a ser preparadas listas para as próximas eleições autárquicas: Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Freguesias. Serão eleitos 7 vereadores, 21 deputados na Assembleia Municipal, 15 órgãos deliberativos e executivos a nível das freguesias. Centenas de anadienses estarão envolvidos neste processo, seja como candidatos a autarcas, seja como intervenientes no processo de campanha, colando cartazes, empunhando bandeiras, distribuindo propaganda; milhares de munícipes irão analisar as diferentes propostas e os projectos que venham a ser apresentados, tomando uma decisão consciente e votando a 11 de Outubro (e 27 de Setembro).
Lamenta-se que as listas das freguesias sofram pressões superiores, obrigando-as a aceitar nomes ou vetando-os - vale a coragem, espírito livre e sentido ético daqueles que, a nível daquelas, trabalham todos os dias com e para a população local, desapoiadas pelos partidos que representam; lamenta-se que as escolhas dos eleitores não sejam feitas com base no valor intrínseco das propostas de cada candidatura mas com base em critérios de conhecimento e aceitação popular ou, pior, por “partidarite aguda”; lamenta-se que os candidatos sejam escolhidos porque defendem o status quo, sendo da confiança das estruturas, muitas vezes não sendo aqueles que melhores contributos poderiam trazer para os munícipes.
Lamenta-se, sobretudo, que os cidadãos eleitores permitam que isto persista!
No dia 12 de Outubro, com os resultados apurados, os partidos políticos e seus dirigentes serão chamados a prestar contas pelo trabalho desenvolvido na campanha e anos anteriores.
Os cidadãos, militantes, simpatizantes, têm que optar: permitem que nada mude e fazem parte do problema; ou fazem parte da solução, iniciando novas formas de política, sublinhando a moral e os princípios, pondo fim ao oportunismo, mediocridade, demagogia e desonestidade.
A escolha é de todos e de cada um de nós.
Mas que não se espere por 12 de Outubro; que se comece JÁ!
PS. Faleceu Palma Inácio como antes Carlos Candal: grandes Democratas, amantes da Liberdade, Homens de apurado sentido ético republicano; ficamos mais pobres e a memória burila-se...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Debaixo da terra e a sumir-se...

No início de Setembro de 2008, fundando-se na informação prestada pelo Sr. Presidente da Câmara de Anadia relativamente à cobertura de saneamento básico do Município de Anadia, o Semanário da Região Bairradina noticiava que no final daquele mês a taxa de cobertura seria de 72,22%.
Ora, volvidos 10 meses e a respeito da possibilidade de ligação das habitações de Paredes do Bairro à rede de saneamento básico, Litério Marques fala em valores na ordem dos 60%.
Nunca tendo sido desmentidos os valores avançados no RB, o Sr. Presidente de Câmara poderá explicar esta míngua e retrocesso de resultados?
A taxa de cobertura dominuiu em dez meses?
Qual(ais) a(s) zona(s) onde deixou de haver saneamnto básico?
Será que a população de Anadia não se sente preocupada?

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Estamos prontos?

O teaser foi deixado, pejando os mais recônditos locais do Município de Anadia.
Sendo claro que é para mim falacioso e não verdadeiro tal mote, deixo uma questão: a equipa que andou a colocar os outdors não viu que a rotunda central da Curia não era um bom local para "estarem prontos"?
E não falo apenas dos possíveis problemas gerados para o tráfego rodoviário: a lista do Partido Socialista para Tamengos vai ter que "estar pronta" para aguentar as críticas de todos aqueles que não viram com bons olhos o "estamos prontos"...
Se calhar a direcção da campanha tenha que ter um pouco mais de cuidado na execução dos planos...

Diatribes

Há quem pense que deveria ser constitucionalmente proibido o comunismo, invocando que já o é o "fascismo de direita". Obviamente respeitando a democracia pluripartidária, a liberdade de escolha de partido e a liberdade ideológica: desde que não sejam comunistas, esses "devoradores de criancinhas", que dão "injucções atrás da orelha às pessoas"...
Há quem faça uma "política de verdade" e se cale perante tais actos. Mas também quem defende "intervalos de democracia de 6 meses", em coerência não pode criticar qulquer ilhéu, mesmo que faça parte do seu partido e garanta dezenas largas de milhares de votos nas legislativas...
Há quem tome a líder que apoia por sande, dizendo que tem que haver uma "interpretação especial" das palavras daquela.
E quem não é arguido, não defende interesses instalados, promove reformas no sentido de dotar o país de sustentáculos sérios para o crescimento, promovendo um equilibrado futuro, é vilipendiado na praça pública...