quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Universidade de Verão do Partido Socialista

 

 
De 30 de Agosto a 2 de Setembro de 2012 decorreu, em Évora, a Universidade de Verão do Partido Socialista, iniciativa retomada após quase uma década de interregno.
Espaço de debate, reflexão e recolha de propostas políticas sobre questões europeias e nacionais, reuniu cerca de uma centena de participantes, selecionados a nível nacional, contando com a intervenção de nomes como Viriato Soromenho Marques, Adelino Maltez, Sandro Mendonça, João Proença, Maria Carmo Fonseca e Costa e Silva, bem assim de personalidades como Elisa Ferreira, Maria João Rodrigues, Correia de Campos, Ana Gomes, Vital Moreira, entre outros.
Espaço de diálogo plural, permitiu a recolha de inúmeros contributos políticos, fruto de um intenso e aceso debate ao longo dos quatro (4) dias, durante os quais participantes, oradores e moderadores cultivaram o espírito de liberdade de pensamento, opinião e ação.
Tive a honra de ser escolhido, inter pares, como Relator de Turma (Olof Palme), expondo a súmula dos contributos dos Participantes perante todos os presentes.
A Direção Nacional do Partido Socialista, na pessoa de António José Seguro e dos Secretários Nacionais Álvaro Beleza e Jorge Seguro Sanches (Reitores), bem como os dirigentes nacionais e o Grupo Parlamentar Europeu do Partido Socialista estão de parabéns: não apenas pela iniciativa, mas sobretudo pelo ambiente existente durante a mesma, marcada por um espírito de diálogo construtivo, ativo na procura de soluções, demonstrativo de que o Partido Socialista tem Militantes no verdadeiro sentido do termo, quadros competentes e confiáveis, assegurando um risonho futuro de oposição responsável e de governação.



terça-feira, 7 de agosto de 2012

Artigo de Opinião Agosto 2012, Semanário da Região Bairradina

1. Regeneração Urbana de Anadia...São os prazos de execução das obras, é a “expansão do projeto”, é a destruição do Matadouro Municipal; e é a forma como está a ser executada!
A Avenida das Laranjeiras - com palmeiras! - passou a ser apenas Avenida na zona entre o Lar da Misericórdia e o acesso aos Paços do Concelho; porquê? Nem laranjeiras, nem palmeiras, nem árvore alguma, a semana que terminou foi a semana do corte!
O corte das palmeiras teve lugar após o dispêndio de tempo, energia e dinheiro com a colocação de lancis e elaboração de estacionamento em granito (que nunca mais acaba, servindo para cruzamentos e estacionamento!), todavia continuando o piso num estado execrável e pretendendo-se a colocação de um separador central na zona...
A zona de cruzamento da Escola Secundária foi objeto de inúmeras reparações; a zona de corte das palmeiras será objeto de nova intervenção, semanas depois de tudo estar preparado, o piso está num estado lastimoso mas nem terra se coloca nos buracos, danificando viaturas...Quem suporta estes custos? Os prazos de execução são cumpridos e, não o sendo, existem consequências contratuais? Qual a necessidade de QUATRO rotundas entre o Lar da Misericórdia e o acesso pedonal à Igreja - uma a cada duzentos metros! É isto um bom planeamento de obra?
2. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico prevê uma recessão de 3,2% em Portugal para 2012 e 0,9% em 2013, com o deficit das contas públicas de 2012 e 2013 de 4,6% e 3,5% - atualmente encontra-se...nos 7,4%!
Os portugueses percebem que NUNCA se cumpre uma previsão de Vítor Gaspar e que Portugal não conseguirá cumprir, nos prazos que o Governo insiste em considerar suficientes, as metas fixadas; que necessitaremos, como sempre defendeu António José Seguro, um prazo mais alargado de cumprimento, condições menos rígidas e uma real aposta no crescimento.
Diz Manuel Ferreira Leite que “não há aqui nenhuma desilusão, os sacrifícios valem a pena...”. Aumento recorde do desemprego e beneficiários de prestações sociais, redução do poder de compra, aumento de taxas de IVA e escalões de IRS, aumento de custo de vida, leis laborais MUITO mais gravosas para os trabalhadores, venda ao desbarato do Estado, diminuição e tendencial eliminação do Estado Providência, privatização de serviços públicos essenciais, número recorde de insolvência de sociedades e pessoas singulares...E vale a pena?! NÃO!
3. A 17 de Maio foi apresentado o Manifesto para uma Esquerda Livre, iniciativa política aberta a todos os cidadãos, com ou sem partido, apelando à sua mobilização para uma esquerda mais livre, um Portugal mais igual e uma Europa mais fraterna, contando com o apoio de várias personalidades do Partido Socialista, Bloco de Esquerda e Renovadores Comunistas.
Um dos subscritores, Rui Tavares, eurodeputado independente ex-BE, deixou pontos de reflexão: “Os partidos limitam-se a fazer a gestão da frustração popular com os outros partidos, não resolvem problemas...nenhum deles quer mudar a política porque isso significaria que o seu modus vivendi estava condenado”; “Em Portugal a democracia é incompleta. Todos podem votar mas nem todos podem ser eleitos...Antes de discutir lugares, discute-se o que devia ser a política para a cidade. E abrir a discussão à sociedade civil. Entre os arquitectos, os artistas, as personalidades mais marcantes que viriam, haveria por certo também bons candidatos a vereadores ou a presidentes de câmara.”.
E deixou um bom espoletador de diálogo para as diversas Esquerdas: “A esquerda habituou-se a pôr as culpas no partido do lado. Mas os militantes da esquerda não são parvos e já não acreditam neste discurso desculpante para não haver convergência. Muitos deixaram de votar. Estamos todos fartos desta cantiga. Eu não me coíbo de ser duro com a minha esquerda. Porque é que nada muda? O diagnóstico do bloqueio da esquerda é pacífico, mas quem tem uma carreira política a gerir concorda só à mesa do café. Dentro do partido tem mais dificuldades. E se há sentimento que domina a política portuguesa é o medo. Não conheço praticamente políticos que não vivam dominados pelo medo. Medo de fazer a discussão em praça pública. Medo de ser visto com as pessoas erradas. Há pessoas de grande qualidade nos partidos – atenção! Mas são tratados pelas lideranças como crianças.”.
Lute-se apenas pela melhoria da vida dos concidadãos, eliminem-se os pequenos poderes!
4. António Costa deu uma entrevista, assumindo ter boas qualidades para Secretário-Geral do Partido Socialista, mas que este não é o tempo de lhe perguntarem se o quer ser. António Costa foi um bom Ministro, é um bom autarca em Lisboa e, não restem dúvidas, tem condições para vir a ser líder - e sê-lo-á no futuro, mais ou menos próximo.
João Proença, líder da UGT, quer que o Partido Socialista vote contra o OE 2013 se traduzir “um reforço da austeridade”; mesmo após, em Janeiro, contrariamente ao defendido pela CGTP e todos os partidos e organizações de trabalhadores de esquerda e centro-esquerda, ter assinado com o Governo o acordo de concertação social, que previa as recentes alterações ao Código do Trabalho...
Ambas as intervenções são totalmente a destempo e até merecedoras de alguma reflexão por parte dos seus autores/promotores; surgem casualmente numa fase em que a liderança de António José Seguro se solidifica, a mensagem do Partido Socialista passa e se assume como verdadeira alternativa de governação, com propostas concretas? Pode ser que sim...
5. A Concelhia de Anadia do Partido Socialista teve a sua primeira intervenção dos últimos anos, defendendo a manutenção das valências de saúde municipais: a política e a atividade partidária fazem-se com, para e pelas pessoas, pelo que se saúda positivamente que aparente ter “arrepiado caminho”, percebido que de costas voltadas para os Munícipes nada se faz e que inicie um ciclo de oposição ativa, com propostas alternativas concretas, tendo a coragem de tomar a posição devida, mesmo que eleitoralmente ingrata ou mesmo divergente de orientações recebidas!
6. A Câmara Municipal já elaborou o Parecer relativo à reorganização administrativa de Anadia, exigido pela Lei 22/2012? A Assembleia Municipal já agendou Sessão para elaborar o seu Parecer? Quererão os Munícipes intervir e não se limitar a esperar pelo fato consumado?
7. A todos boas Férias; que ninguém regresse e veja desaparecido o posto de trabalho ou a sua entidade patronal com a atividade encerrada, que um número cada vez maior de desempregados possa encontrar uma oportunidade laboral.


terça-feira, 17 de julho de 2012

Artigo de Opinião Julho 2012, Semanário da Região Bairradina

1. Há 17 anos atrás teve lugar um dos mais hediondos acontecimentos da História da Humanidade, não apenas da História Europeia post Grandes Guerras: 7.942 bósnios muçulmanos, adultos e jovens, eram chacinados em Srebenica e seus arredores por militares e paramilitares Sérvios; retirados de suas mães, esposas, foram distribuídos pelos arredores daquela cidade e espancados, fuzilados, espalhados por valas comuns, ato perpetrado para a afirmação do espaço vital da “Pátria Mãe Sérvia”. A chacina durou 5 dias e ainda na passada semana foram feitos funerais dos restos mortais de mais de 500 vítimas.
Tudo isto aconteceu perante indiferença quase total, mesmo na Europa, perante a passividade dos seus cidadãos, a conivência das autoridades. Após a chacina teve lugar uma massiva mobilização da opinião pública, a pressão sobre o poder político tornou-se insuportável e a permissividade cessou. Apenas porque a população se mobilizou!
2. Miguel Relvas...Foi o caso Rosa Mendes (pressão sobre Conselho de Redação da RDP para afastar o comentador que criticou a vassalagem perante a nomenclatura angolana), foi o caso das Secretas, foi o caso das nomeações (distribuindo lugares-chave no setor empresarial do Estado), foi o caso do Público (ameaçando uma jornalista de boicote governamental ao jornal e a divulgação da vida privada daquela na Internet), foram as incessantes mentiras na AR. Agora...
Estou de consciência completamente cumprida...Foram estas (32 de 36 cadeiras da licenciatura), poderiam ter sido mais cadeiras...Norteei a minha vida pela simplicidade da procura do conhecimento permanente. Sou uma pessoa mais de fazer do que de falar”.
Quanto à questão da licenciatura e obtenção da mesma, ficámos a conhecer algumas coisas e muitos mais conheceremos. Mas este é (mais) um episódio de vida de tantos “Relvas”, personagem mítica, novo-marialva português, qual erva daninha num jardim descurado pelos seus donos!
Miguel Relvas é o arquétipo de “self made man”, do político que divide o seu mundo entre a economia das sociedades do mercado livre e a defesa do interesse público. Estendendo a sua rede de contatos enquanto serviu (já na altura servia...) Passos Coelho na liderança da JSD, saltou para a Assembleia da República, geriu sociedades, esteve na sombra, ajudou (já na altura ajudava...) Passos Coelho a conquistar o PSD, a conquistar o poder (o pote de onde não tinha sede em beber...) e tornou-se número 2 do Governo, liderando todos os processos com repercussão política, a privatização ao desbarato do Estado, as nomeações do Governo, em suma, o que trai as moscas!
"O Relvas” é uma caricatura? Não, é um modelo! “O Relvas” é uma espécie que grassa nas estruturas partidárias, que nunca trabalhou ou estudou, que salta da estrutura partidária jovem para uma Secretaria de Estado, para Adjunto ou Assessor, daí para uma empresa pública, obtendo umas equivalências curriculares que lhe preenchem a falha juvenil...Imberbes acéfalos, sem experiência profissional e de vida, a quem o poder cai nas mãos e o partilham com outros imberbes acéfalos - e existem em TODOS os partidos, não existem virgens inocentes na estória!
Miguel Relvas não se demitiu nem é demitido. Mas Miguel Relvas é Passos Coelho e Passos Coelho é Miguel Relvas: seres siameses há décadas, irmãos de armas que se não podem abandonar porque a queda de um será a queda do outro.
Investigue-se! Não apenas este, mas todos “O Relvas” que pululam em Portugal. Em TODOS os partidos, TODOS os setores!
Esta situação confirma a soberba moral de mais uma liderança do PSD: apenas o PSD é sério (o CDS refina a técnica, mas percebe que começa a ser tocado, qual maçã podre, tentando evitar o contágio), apenas o PSD sabe aquilo que Portugal necessita, apenas o PSD tem a solução e tudo o resto é errado, ímpio. Esquecem-se, porém, que o PSD é formado por seres humanos....
Os partidos políticos são estruturas compostas por seres humanos, sendo conspurcadas pelos seus defeitos; como estruturas de poder, tendem a reger-se por lógicas internas que o visam, vendo-se amiúde ocupadas e tomadas por siameses de “O Relvas”.
Os partidos políticos têm militantes de muito e meritória ação e pensamento, com o sincero desejo de ajudar a e contribuir para a afirmação do seu ideal político e da melhoria da vida dos seus concidadãos; mas também, como tudo o que é humano, são falíveis, por vezes falaciosos e vêm preenchidos alguns dos seus mais importantes lugares por lixo moral! Senão...
Será normal e aceitável que - imaginemos... - quem é rejeitado por um partido a um cargo de presidência numa Junta de Freguesia sirva como candidato a Câmara Municipal por outro?!
Será normal e aceitável que um militante, cujo valor é recusado pelos seus concidadãos, ascenda a lugares de destaque partidário a nível nacional e até a governante?!
Será normal que lideranças que prometem e não cumprem, que continuamente juram que vencerão de capota e sofrem humilhantes e contínuas derrotas, se perpetuem?
Será normal e aceitável que estruturas locais desrespeitem decisões nacionais, violem Estatutos de forma continuada, impeçam a ação dos militantes, de estess intervirem partidariamente, os rejeitem por lógicas de perpetuação de poder mesquinho?!
Será normal e aceitável que os partidos virem costas à sociedade, não a auscultem em questões essenciais, nem sequer aos seus militantes?!
Não é normal. Mas é acolhido por demasiados Militantes. E é aceite pela sociedade acriticamente, que permite que este estado de coisas continue.
Todas as sociedades têm os líderes que merecem e (não) fazem por ter. E estamos a senti-lo!
3. Como qualquer aluno do primeiro ano da Licenciatura de Direito poderia perceber, após um conveniente estudo da cadeira de Direito Constitucional, foi declarada inconstitucional, por violação do princípio da igualdade, a norma do Orçamento de Estado que previa o não pagamento de subsídio de férias e de Natal para os funcionários públicos. Fazendo jus a quem o merece, louve-se a ação dos Deputados da AR que solicitaram a análise da norma pelo TC (do BE, da CDU e - apenas! - alguns do Partido Socialista).
A campanha de pressão da Ministra da Justiça, a ameaça da extinção do Tribunal Constitucional e sua redução a secção do Supremo Tribunal de Justiça, a menorização mental dos Conselheiros por destacados membros dos partidos do Governo, redundaram em nada, foi cumprida a Lei e logo o Primeiro-Ministro bradou aos 4 ventos a sua ira contra tal cumprimento, mostrando quanto respeita o princípio de separação de poderes...
O Presidente da República, que não enviou a norma para fiscalização preventiva, teve a vergonhosa e vexante ideia de justificar a sua (continuada!) inação porque “Portugal não poderia correr o risco de ficar sem Orçamento de Estado”! O TC declarou inconstitucional...UMA NORMA, não o diploma, decidindo por uma esmagadora maioria.
E Cavaco Silva, a propósito de tudo o que se passa em Portugal, dos escândalos, do aumento galopante do desemprego? Nada. O Chefe de Estado, que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição...
4. “Até quando você vai ficar levando porrada, até quando vai ficar sem fazer nada?

quarta-feira, 4 de julho de 2012

E não é fabulado!

No mesmo Governo convivem licenciados de década(s) - Passos Coelho - com licenciados de ano - Miguel Relvas.
No mesmo partido convivem autarcas com decisão judicial determinando perda imediata de mandato - Macário Correia - com autarcas eternos - Jaime Ramos.
Por isso ao PSD se compreende o "luxo" de recusar ofertas de candidatos a posições subalternas feitas por agentes naturais, com mãos visíveis, deixando-os fugir para o outro lado da trincheira para as mais elevadas missões...
E ninguém se espanta que acolham com hurras tais personagens sempre que estes clamam o desejo de vencer por capota...

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Discutir a reorganização administrativa local JÁ!

Não tendo obtido resposta através dos canais estatutários normais, resta-me o apelo público:
O presidente da Comissão Política Concelhia declarou publicamente que pretendia fazer avançar a estrutura local, abrindo-a à sociedade (jargão da moda), aumentar a sua base social de apoio, bem como reforçar e aumentar a militância - julgo que será a ativa, reforçando a existente, permitindo o exercício da militância àqueles que estão impedidos de o fazer!
Foi publicada e está em vigor a Lei 22/2012, que reformula o modelo e geografia administrativa autárquica, introduzindo mudanças estruturais ao regime legal que vigora há décadas.
Foi publicamente anunciado pelo Presidente da Assembleia Municipal de Anadia o desejo de elaboração do Parecer legalmente devido no espaço de um mês.
Conhecem-se os antecedentes da supra mencionada estrutura quanto à questão em apreço...
Não se compreende ainda não ter havido pública movimentação da Comissão Política de Anadia do Partido Socialista, convocando os Militantes a debater tão relevante questão, bem como os autarcas socialistas, os simpatizantes que integraram as listas autárquicas e a população em geral!
É OBRIGATÓRIO a convocação de Plenário de Militantes, a recolha do contributo destes, autarcas e simpatizantes socialistas locais!
É OBRIGATÓRIO a convocação de uma reunião pública, aberta a todos os Munícipes, para recolha das suas posições!
O "diálogo de surdos" entre o Presidente da Assembleia Municipal e o Presidente da Câmara, a pequena guerra na qual nenhum quer ficar conhecido como "o coveiro das Freguesias",
 permite perceber (se dúvidas houvesse) qual o espírito que rodeia, nas hostes do PSD - o que está no poder e o que preenche os órgãos estatutários - o tratamento da questão.
Seria um péssimo sinal, mais ainda a ano e meio das próximas eleições autárquicas, que o Partido Socialista local se deixasse tolher por receios eleitoralistas, deixando de tratar a questão com a seriedade e elevação que ela merece.
E espero que o exemplo seja seguido por todas as estruturas partidárias locais, sem hortodoxias e abertas acriticamente à participação.
A BEM DOS MUNÍCIPES!
Espero, mesmo, que o repto surta efeitos - nesta como nas restantes estruturas partidárias locais...

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Artigo de Opinião Junho 2012 - Semanário da Região Bairradina

1. No passado mês de Maio faleceu João Ferreira, o "Sr. João do Banco"; tive a honra de poder privar com ele, de ouvir as suas experiências, de sentir a paixão com que se conduzia.
Gostava de conversar: de ouvir os outros sem insistir em se ouvir, de debater, de perceber como as diferenças são amiúde mais importantes que as semelhanças. De forma aberta e honesta.
Existem raras pessoas que granjeiam, de amigos e opositores, unânime respeito: pelos valores, pela honestidade de caráter, pela coerência da ação. João Ferreira é uma dessas raras pessoas! Fez muito humana, cívica e político-partidariamente. Porque o merece, a minha singela homenagem!
2. Memória é algo que parece inexistir nos responsáveis políticos (no burgo e lá fora): vai longe a memória da República de Weimar e da criação do espaço vital, da reunificação das duas Alemanhas...Aceita-se sem ruído que o Ministro das Finanças alemão empurre a Grécia para fora do Euro, que a Chanceler alemã avise que acabou a contribuição alemã aos gregos se eleito um governo hostil, que a responsável máximo do FMI mostre despreocupação com o destino dos gregos e lhes exija que paguem impostos...
Sim, são perniciosos os efeitos económico-financeiros na Zona Euro; o aumento de poder regional da Turquia e Rússia, a entrada em força da China na Grécia (como em Portugal...); o contágio que se faz sentir nos países “ajudados” (Irlanda, Portugal, Espanha - aqui para pseudo salvação do sistema bancário nacional e sem medidas de austeridade...) e o sufoco que os angélicos mercados lançam sobre Itália e Holanda; mas devastadores são os efeitos sobre o povo grego: aumento do suicídio, aumento do abandono de crianças em orfanatos, sem verba para acudir às necessidades, fuga em massa das multinacionais e consequente aumento exponencial do desemprego, miséria, fome, desespero, revolta social. Nem agora somos todos gregos?!
3. Foi publicada a Lei 22/2012: no máximo até 29 de Agosto de 2012, as Assembleias Municipais terão que deliberar acerca da reorganização administrativa, atendendo aos pareceres das Câmaras Municipais e Assembleias de Freguesia.
Caberá às AM, nos seus pareceres, indicar as freguesias consideradas em lugar urbano (aparentemente redundante, pois o diploma já prevê - ou parece prever...- quais são os "lugares urbanos"...), o número de freguesias, suas denominações, definição e limites, suas sedes e com nota justificativa - que não se limite a um mero recolher de posições individuais...
A Unidade Técnica a funcionar junto da Assembleia da República analisará a conformidade dos pareceres das AM e, na sua ausência, proporá um projeto de reorganização local; no caso de a Unidade Técnica detetar desconformidades entre Lei 22/2012 e os pareceres das AM, estas poderão elaborar resposta em um prazo de 20 dias, cabendo a decisão final à Unidade Técnica.Anadia é um Município de nível 2 e a cidade de Anadia o único lugar urbano, quid iuris?
A alínea b) do nº 1 do artigo 6º determina uma "redução global do...número de freguesias correspondente a, no mínimo, 50 % do número de freguesias cujo território se situe, total ou parcialmente, no mesmo lugar urbano ou em lugares urbanos sucessivamente contíguos e 30 % do número das outras freguesias"; tal preceito legal tem, porém, que ser articulado com a alínea c) do artigo 8º, que prevê para os Municípios de nível 2 conjuntos mínimos de "15 000 habitantes por freguesia no lugar urbano e de 3000 nas outras freguesias".
Na cidade de Anadia, único "lugar urbano" do Município, integram-se a Freguesia de Arcos e a Freguesia da Moita - operando a redução de 50%, passaríamos a ter apenas uma Freguesia.
Sendo 13 as Freguesias fora de lugar urbano, com uma redução de 30% passaríamos a ter 9 destas Freguesias - donde um máximo (por ora) de 10 Freguesias no Município de Anadia.
Mas estariam cumpridos os ditames da alínea c) do artigo 8º? NÃO! A Freguesia do "lugar urbano" não teria 15.000 habitantes, nem todas as restantes 9 cumpririam o mínimo dos 3.000...
Se matematicamente existe, logo no ponto de partida, um problema (aparentemente) irresolúvel, outros resultam da análise mais detalhada do diploma em causa:
O artigo 5º nº 3 ("Em casos devidamente fundamentados, a assembleia municipal pode, no âmbito da respetiva pronúncia prevista no artigo 11.º da presente lei, considerar como não situadas nos lugares urbanos do município freguesias que como tal sejam consideradas nos termos dos números anteriores") parece abrir caminho a que a Freguesia da Moita possa não integrar necessariamente a freguesia do "lugar urbano"...
E o artigo 7º parece permitir alguma flexibilidade na redução de freguesias: "No exercício da...pronúncia...a assembleia municipal goza de uma margem de flexibilidade que lhe permite, em casos devidamente fundamentados, propor uma redução do número de freguesias do respetivo município até 20 % inferior ao número global de freguesias a reduzir resultante da aplicação das percentagens previstas no n.º 1 do artigo 6.º": leia-se, a AM, fundamentando-o DEVIDAMENTE, pode permitir que se reduzam não 4 mas apenas 3 freguesias das 13 que existem fora do "lugar urbano" - mas respeitando o mínimo de 3 mil habitantes, a operacionalidade é meramente teórica...
Sê-lo-á? Do artigo 7º resulta que "Em casos devidamente fundamentados, a assembleia municipal pode alcançar a redução global do número de freguesias...aplicando proporções diferentes das consagradas no n.º 1 do artigo 6.º". Mesmo no plano formal parece existir relativa plasticidade dos critérios de aplicação, alguma adaptabilidade local, exigindo-se às AM que fundamentem essas posições, justificando a moldagem às concretas necessidades municipais.
Os decisores municipais sabem já a legislação que rege a matéria e com um pouco de leitura atenta facilmente extrairão as possibilidades legais. Faço votos para que não cedam à tentação demagógica de agradar a todas as populações locais, surtout em véspera de eleições autárquicas...As diferenças ideológicas deverão ser postas de parte, promovendo e congregando contributos de todos - partidos políticos, grupos de cidadãos, Munícipes.
4. O Presidente da Comissão Política do Partido Socialista, em entrevista, diz Oportunamente todos os militantes do PS Anadia serão chamados para...essa escolha”. Assegurado que ainda não escolheu o candidato autárquico, devem ser os Militantes - TODOS, sem exceções atuais e futuras, pessoais e/ou políticas - a intervir no processo, sem que razões (médico-científicas, oraculares ou outras) o inquinem/impeçam. Por aqui, um melhor começo.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Onde anda?

Miguel Relvas, o Ministro de Tudo?
Apenas aparece para lançar programas de emprego jovem - precário, mal pago, vexante?
Os "brandos costumes" e a "aspirina Euro" branqueiam tudo?!