quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sacrifícios?!

Nos dias 5 e 14 de Outubro, respetivamente, virá (pelo menos) um membro do Governo PSD/CDS (e respetivos acompanhantes) a Anadia e Curia para a inauguração das obras da Regeneração Urbana das duas localidades.
Anadia é e sempre foi, desde as primeiras eleições democráticas, governada por executivos (sempre com maioria absoluta) formados pelo PSD.
Não sei em que consiste uma inauguração de obras...sobretudo quando (algumas) as valências em causa estão a ser utilizadas há diversas semanas.
Exigindo o atual Governo PSD/CDS sacrifícios injustificados aos portugueses, deslocar uma comitiva governamental de Lisboa para Anadia, visando o "corte de fita", duas vezes em 10 dias, revela bem o espírito que rege os nossos governantes - nacionais e locais! - e a hipocrisia dos mesmos...
Atendendo ao fato de em Anadia coexistirem, simultaneamente, um Plano de Regeneração Urbana de Anadia e um Plano de Regeneração Urbana do Centro de Anadia, prevê-se mais uma inauguração com pompa, fausto e porco no espeto...


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Artigo de Opinião Setembro 2012 - Semanário da Região Bairradina

1. António José Seguro, há mais de um ano, vem dizendo que Portugal necessita de uma verdadeira agenda para o crescimento económico e promoção ativa de emprego, de âmbito europeu, sendo necessário mais um ano para ajustamento do programa internacional de apoio financeiro.
Na Universidade de Verão do Partido Socialista novamente ouvi-o dizer BASTA!, afirmar que Existe um Outro Caminho. Regressou o coro de críticas: demagogia por mais tempo implicar mais custos, desnecessidade porque tudo o que fazíamos era elogiado externamente, os objetivos eram todos cumpridos e as metas fixadas estavam a ser e seriam atingidas...
Cavaco Silva, despertado das suas férias (interrompidas para inaugurar um hospital privado) e do silêncio sepulcral a que se devota, no dia 7 elogiava o esforço de equidade do Governo na distribuição de sacrifícios; dia 7, dia de jogo da seleção nacional de futebol e de comunicação surpresa do Primeiro-Ministro - antecedendo em 25 minutos o jogo ...
Passos Coelho anunciou que seria reduzida a Taxa Social Única das entidades patronais em 5,75%, aumentando a dos trabalhadores em 7%, centrando-as nos 18%; igualou a TSU dos funcionários públicos aos privados e manteve a retenção de um subsídio e redistribuiu o outro em duodécimos; manteve a retenção de dois subsídios a pensionistas e a reformados. Justificou tais mexidas com o desiderato de combater o desemprego mas não anunciou NENHUMA medida de crescimento de emprego - apenas que os funcionários do setor privado ficariam sem (pelo menos!) um vencimento e os do setor público sem (pelo menos) dois vencimentos mensais!
Avançou que o Ministro das Finanças explicitaria o alcance das medidas, as suas vantagens e a não perda de rendimento dos portugueses; e depois foi cantar “Nini dos meus 15 anos”...
De Vítor Gaspar (em dia de jogo da seleção) ouvimos que teríamos mais um ano para cumprimento das metas do programa de ajuda, sem custos adicionais (estranhamente, Seguro deixava de ser demagogo!) e que as metas para o deficit das contas públicas seriam aligeiradas nos três próximos anos; como ficámos a saber que o Governo iria impor medidas de austeridade adicionais, seis vezes mais duras que o necessário! E, de forma escamoteada, que o deficit atual era de 6,6%, quando este Governo assumira a meta de 4,5%.
Para finalizar Vítor Gaspar, explicitando o alcance real das medidas comunicadas por Passos Coelho, informou-nos que em 2013 seria reduzido o número de escalões de IRS e AUMENTADA a sua incidência, seja, diminuiria significativamente o rendimento disponível dos portugueses - ao mesmo tempo que as alterações da TSU iriam aumentar o emprego em 2013...em cerca de 1%!
TODAS as declarações públicas - entidades patronais, confederações sindicais, empresários, Conselheiros de Estado, membros do PSD e CDS, professores universitários, economistas, cidadãos comuns - foram UNÂNIMES em criticar a falsidade de declarações, a irrealidade da eficácia anunciada das medidas, a sem-razão do Governo, a sua cegueira. Um ilustre comentador qualificou este Governo como “um bando de adolescentes com as hormonas aos saltos”; para refutar tal afirmação, que faz Passos Coelho? Deu uma entrevista à RTP.
Resumindo a mesma: falhámos mas não o reconheceremos, falhámos mas manteremos a fórmula! Não conseguiu explicar, sequer fundamentar, qualquer das medidas anunciadas (nem as 4 folhas A4 distribuídas por Ministérios e Secretarias de Estado lhe valeram), entrou em claríssimas contradições, titubeou, mentiu, tentou iludir os portugueses de forma vergonhosa!
Os sacrifícios impostos por este Governo aos portugueses, traindo o que lhes prometeu, não surtiu quaisquer efeitos positivos no controlo das contas públicas, aumentaram o desemprego, as insolvências, a emigração forçada, as dificuldades económicas, a economia paralela, o desespero; este Governo falhou TODAS as metas a que se vinculou e, num hipócrita volte-face (com a discordância da “Troika” - o pára-quedas que utiliza para aligeirar as suas totais responsabilidades), anuncia medidas que, diz, salvarão Portugal, permitindo agora cumprir as metas que os credores, por pura bonomia!, decidiram aligeirar...
A alteração da TSU é um claro exemplo do que este Governo vale: impreparado, ideologicamente autista, experimentalista, socialmente indiferente! Ambos os partidos, PSD e CDS-PP, siameses na condução imoral dos destinos de Portugal - por muito que o último deles tente, lutando pela sua sobrevivência, ilibar-se de qualquer medida impopular...
€397,70: será o rendimento mensal de um trabalhador português que receba o salário mínimo nacional, com a TSU aumentada de 11% para 18% - menos €34 mensais, o que corresponde a uma diminuição de 8% no rendimento disponível no final do mês! Menos rendimento, menos consumo, menos produção industrial, menos necessidade de mão-de-obra, mais desemprego...Este simples raciocínio, que qualquer português faz, mostra à saciedade que BASTA!
Na passada sexta-feira novos dados económicos foram revelados: Portugal teve a segunda maior redução de número de empregados na UE no 2º trimestre de 2012 (-4,2%) e em Agosto o número de inscritos nos centros de emprego aumentou 26%...
Há uma linha que separa a Austeridade da Imoralidade! E essa linha foi ultrapassada”!
Há ano e meio Cavaco Silva apelava aos jovens para se revoltarem, não admitia mais austeridade; e agora? Não basta falar através de Alexandre Relvas e Manuela Ferreira Leite, tem que assumir as suas obrigações, fazer cumprir a Constituição, pôr cobro a um status quo contrário à realidade, socialmente insustentado e insustentável. Mas para tal seriam necessárias qualidades que Cavaco Silva não tem...
Uma maioria, um Governo, um Presidente, a tríade sagrada da Direita! Direita fraquíssima com os fortes e Muito, mesmo MUITO forte com os fracos...
Recordemos Rousseau, atual como sempre: "Em política, tal como na moral, é um grande mal não fazer bem, e todo o cidadão inútil deve ser considerado um homem pernicioso.
2. Apartidários. Politicamente desligados. Descontentes decanos. Ideologicamente indefinidos. Setecentos mil anónimos - não líderes partidários! - contribuíram ativamente, no passado sábado, para a afirmação e reforço da Democracia, da República.
Múltiplas gerações das mesmas famílias, desalentadas com um futuro incerto; cidadãos comuns, movidos pelo desejo de mudança, pela moralização da politea, por um rumo! Das suas declarações ressalta que percebem as dificuldades, que contribuem para que ultrapassemos uma fase de maior dificuldade - mas não admitem que tudo seja em vão!
Disseram, de forma civicamente ordeira, BASTA! Das políticas castradoras e recessivas, dos seus autores, da ideologia imposta a "camartelo"; de um Governo inepto e de uma Presidência coniventemente inerte. As pessoas perceberam novamente que a sua opinião conta, a sua palavra ecoa, o seu gesto inspira! O clamor ouvido foi e é ensurdecedor.
3. Recordando Antero de Quental: “A República é, no Estado, Liberdade; nas consciências, moralidade; no trabalho, segurança; na nação, força e independência. Para todos, riqueza; para todos, igualdade; para todos, luz”.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

"Foi todo um Povo"

Apartidários. Politicamente desligados. Descontentes decanos. Ideologicamente indefinidos. Setecentos mil anónimos - não líderes partidários! - contribuíram ativamente, no passado sábado, para a afirmação e reforço da Democracia, da República.
Múltiplas gerações das mesmas famílias, desalentadas com um futuro incerto; cidadãos comuns, movidos pelo desejo de mudança, pela moralização da politea, por um rumo! Das suas declarações ressalta que percebem as dificuldades, que contribuem para que ultrapassemos uma fase de maior dificuldade - mas não admitem que tudo seja em vão!
Disseram, de forma civicamente ordeira, BASTA! Das políticas castradoras e recessivas, dos seus autores, da ideologia imposta a "camartelo"; de um Governo inepto e de uma Presidência coniventemente inerte. As pessoas perceberam novamente que a sua opinião conta, a sua palavra ecoa, o seu gesto inspira!
O clamor ouvido foi e é ensurdecedor.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Universidade de Verão do Partido Socialista

 

 
De 30 de Agosto a 2 de Setembro de 2012 decorreu, em Évora, a Universidade de Verão do Partido Socialista, iniciativa retomada após quase uma década de interregno.
Espaço de debate, reflexão e recolha de propostas políticas sobre questões europeias e nacionais, reuniu cerca de uma centena de participantes, selecionados a nível nacional, contando com a intervenção de nomes como Viriato Soromenho Marques, Adelino Maltez, Sandro Mendonça, João Proença, Maria Carmo Fonseca e Costa e Silva, bem assim de personalidades como Elisa Ferreira, Maria João Rodrigues, Correia de Campos, Ana Gomes, Vital Moreira, entre outros.
Espaço de diálogo plural, permitiu a recolha de inúmeros contributos políticos, fruto de um intenso e aceso debate ao longo dos quatro (4) dias, durante os quais participantes, oradores e moderadores cultivaram o espírito de liberdade de pensamento, opinião e ação.
Tive a honra de ser escolhido, inter pares, como Relator de Turma (Olof Palme), expondo a súmula dos contributos dos Participantes perante todos os presentes.
A Direção Nacional do Partido Socialista, na pessoa de António José Seguro e dos Secretários Nacionais Álvaro Beleza e Jorge Seguro Sanches (Reitores), bem como os dirigentes nacionais e o Grupo Parlamentar Europeu do Partido Socialista estão de parabéns: não apenas pela iniciativa, mas sobretudo pelo ambiente existente durante a mesma, marcada por um espírito de diálogo construtivo, ativo na procura de soluções, demonstrativo de que o Partido Socialista tem Militantes no verdadeiro sentido do termo, quadros competentes e confiáveis, assegurando um risonho futuro de oposição responsável e de governação.



terça-feira, 7 de agosto de 2012

Artigo de Opinião Agosto 2012, Semanário da Região Bairradina

1. Regeneração Urbana de Anadia...São os prazos de execução das obras, é a “expansão do projeto”, é a destruição do Matadouro Municipal; e é a forma como está a ser executada!
A Avenida das Laranjeiras - com palmeiras! - passou a ser apenas Avenida na zona entre o Lar da Misericórdia e o acesso aos Paços do Concelho; porquê? Nem laranjeiras, nem palmeiras, nem árvore alguma, a semana que terminou foi a semana do corte!
O corte das palmeiras teve lugar após o dispêndio de tempo, energia e dinheiro com a colocação de lancis e elaboração de estacionamento em granito (que nunca mais acaba, servindo para cruzamentos e estacionamento!), todavia continuando o piso num estado execrável e pretendendo-se a colocação de um separador central na zona...
A zona de cruzamento da Escola Secundária foi objeto de inúmeras reparações; a zona de corte das palmeiras será objeto de nova intervenção, semanas depois de tudo estar preparado, o piso está num estado lastimoso mas nem terra se coloca nos buracos, danificando viaturas...Quem suporta estes custos? Os prazos de execução são cumpridos e, não o sendo, existem consequências contratuais? Qual a necessidade de QUATRO rotundas entre o Lar da Misericórdia e o acesso pedonal à Igreja - uma a cada duzentos metros! É isto um bom planeamento de obra?
2. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico prevê uma recessão de 3,2% em Portugal para 2012 e 0,9% em 2013, com o deficit das contas públicas de 2012 e 2013 de 4,6% e 3,5% - atualmente encontra-se...nos 7,4%!
Os portugueses percebem que NUNCA se cumpre uma previsão de Vítor Gaspar e que Portugal não conseguirá cumprir, nos prazos que o Governo insiste em considerar suficientes, as metas fixadas; que necessitaremos, como sempre defendeu António José Seguro, um prazo mais alargado de cumprimento, condições menos rígidas e uma real aposta no crescimento.
Diz Manuel Ferreira Leite que “não há aqui nenhuma desilusão, os sacrifícios valem a pena...”. Aumento recorde do desemprego e beneficiários de prestações sociais, redução do poder de compra, aumento de taxas de IVA e escalões de IRS, aumento de custo de vida, leis laborais MUITO mais gravosas para os trabalhadores, venda ao desbarato do Estado, diminuição e tendencial eliminação do Estado Providência, privatização de serviços públicos essenciais, número recorde de insolvência de sociedades e pessoas singulares...E vale a pena?! NÃO!
3. A 17 de Maio foi apresentado o Manifesto para uma Esquerda Livre, iniciativa política aberta a todos os cidadãos, com ou sem partido, apelando à sua mobilização para uma esquerda mais livre, um Portugal mais igual e uma Europa mais fraterna, contando com o apoio de várias personalidades do Partido Socialista, Bloco de Esquerda e Renovadores Comunistas.
Um dos subscritores, Rui Tavares, eurodeputado independente ex-BE, deixou pontos de reflexão: “Os partidos limitam-se a fazer a gestão da frustração popular com os outros partidos, não resolvem problemas...nenhum deles quer mudar a política porque isso significaria que o seu modus vivendi estava condenado”; “Em Portugal a democracia é incompleta. Todos podem votar mas nem todos podem ser eleitos...Antes de discutir lugares, discute-se o que devia ser a política para a cidade. E abrir a discussão à sociedade civil. Entre os arquitectos, os artistas, as personalidades mais marcantes que viriam, haveria por certo também bons candidatos a vereadores ou a presidentes de câmara.”.
E deixou um bom espoletador de diálogo para as diversas Esquerdas: “A esquerda habituou-se a pôr as culpas no partido do lado. Mas os militantes da esquerda não são parvos e já não acreditam neste discurso desculpante para não haver convergência. Muitos deixaram de votar. Estamos todos fartos desta cantiga. Eu não me coíbo de ser duro com a minha esquerda. Porque é que nada muda? O diagnóstico do bloqueio da esquerda é pacífico, mas quem tem uma carreira política a gerir concorda só à mesa do café. Dentro do partido tem mais dificuldades. E se há sentimento que domina a política portuguesa é o medo. Não conheço praticamente políticos que não vivam dominados pelo medo. Medo de fazer a discussão em praça pública. Medo de ser visto com as pessoas erradas. Há pessoas de grande qualidade nos partidos – atenção! Mas são tratados pelas lideranças como crianças.”.
Lute-se apenas pela melhoria da vida dos concidadãos, eliminem-se os pequenos poderes!
4. António Costa deu uma entrevista, assumindo ter boas qualidades para Secretário-Geral do Partido Socialista, mas que este não é o tempo de lhe perguntarem se o quer ser. António Costa foi um bom Ministro, é um bom autarca em Lisboa e, não restem dúvidas, tem condições para vir a ser líder - e sê-lo-á no futuro, mais ou menos próximo.
João Proença, líder da UGT, quer que o Partido Socialista vote contra o OE 2013 se traduzir “um reforço da austeridade”; mesmo após, em Janeiro, contrariamente ao defendido pela CGTP e todos os partidos e organizações de trabalhadores de esquerda e centro-esquerda, ter assinado com o Governo o acordo de concertação social, que previa as recentes alterações ao Código do Trabalho...
Ambas as intervenções são totalmente a destempo e até merecedoras de alguma reflexão por parte dos seus autores/promotores; surgem casualmente numa fase em que a liderança de António José Seguro se solidifica, a mensagem do Partido Socialista passa e se assume como verdadeira alternativa de governação, com propostas concretas? Pode ser que sim...
5. A Concelhia de Anadia do Partido Socialista teve a sua primeira intervenção dos últimos anos, defendendo a manutenção das valências de saúde municipais: a política e a atividade partidária fazem-se com, para e pelas pessoas, pelo que se saúda positivamente que aparente ter “arrepiado caminho”, percebido que de costas voltadas para os Munícipes nada se faz e que inicie um ciclo de oposição ativa, com propostas alternativas concretas, tendo a coragem de tomar a posição devida, mesmo que eleitoralmente ingrata ou mesmo divergente de orientações recebidas!
6. A Câmara Municipal já elaborou o Parecer relativo à reorganização administrativa de Anadia, exigido pela Lei 22/2012? A Assembleia Municipal já agendou Sessão para elaborar o seu Parecer? Quererão os Munícipes intervir e não se limitar a esperar pelo fato consumado?
7. A todos boas Férias; que ninguém regresse e veja desaparecido o posto de trabalho ou a sua entidade patronal com a atividade encerrada, que um número cada vez maior de desempregados possa encontrar uma oportunidade laboral.


terça-feira, 17 de julho de 2012

Artigo de Opinião Julho 2012, Semanário da Região Bairradina

1. Há 17 anos atrás teve lugar um dos mais hediondos acontecimentos da História da Humanidade, não apenas da História Europeia post Grandes Guerras: 7.942 bósnios muçulmanos, adultos e jovens, eram chacinados em Srebenica e seus arredores por militares e paramilitares Sérvios; retirados de suas mães, esposas, foram distribuídos pelos arredores daquela cidade e espancados, fuzilados, espalhados por valas comuns, ato perpetrado para a afirmação do espaço vital da “Pátria Mãe Sérvia”. A chacina durou 5 dias e ainda na passada semana foram feitos funerais dos restos mortais de mais de 500 vítimas.
Tudo isto aconteceu perante indiferença quase total, mesmo na Europa, perante a passividade dos seus cidadãos, a conivência das autoridades. Após a chacina teve lugar uma massiva mobilização da opinião pública, a pressão sobre o poder político tornou-se insuportável e a permissividade cessou. Apenas porque a população se mobilizou!
2. Miguel Relvas...Foi o caso Rosa Mendes (pressão sobre Conselho de Redação da RDP para afastar o comentador que criticou a vassalagem perante a nomenclatura angolana), foi o caso das Secretas, foi o caso das nomeações (distribuindo lugares-chave no setor empresarial do Estado), foi o caso do Público (ameaçando uma jornalista de boicote governamental ao jornal e a divulgação da vida privada daquela na Internet), foram as incessantes mentiras na AR. Agora...
Estou de consciência completamente cumprida...Foram estas (32 de 36 cadeiras da licenciatura), poderiam ter sido mais cadeiras...Norteei a minha vida pela simplicidade da procura do conhecimento permanente. Sou uma pessoa mais de fazer do que de falar”.
Quanto à questão da licenciatura e obtenção da mesma, ficámos a conhecer algumas coisas e muitos mais conheceremos. Mas este é (mais) um episódio de vida de tantos “Relvas”, personagem mítica, novo-marialva português, qual erva daninha num jardim descurado pelos seus donos!
Miguel Relvas é o arquétipo de “self made man”, do político que divide o seu mundo entre a economia das sociedades do mercado livre e a defesa do interesse público. Estendendo a sua rede de contatos enquanto serviu (já na altura servia...) Passos Coelho na liderança da JSD, saltou para a Assembleia da República, geriu sociedades, esteve na sombra, ajudou (já na altura ajudava...) Passos Coelho a conquistar o PSD, a conquistar o poder (o pote de onde não tinha sede em beber...) e tornou-se número 2 do Governo, liderando todos os processos com repercussão política, a privatização ao desbarato do Estado, as nomeações do Governo, em suma, o que trai as moscas!
"O Relvas” é uma caricatura? Não, é um modelo! “O Relvas” é uma espécie que grassa nas estruturas partidárias, que nunca trabalhou ou estudou, que salta da estrutura partidária jovem para uma Secretaria de Estado, para Adjunto ou Assessor, daí para uma empresa pública, obtendo umas equivalências curriculares que lhe preenchem a falha juvenil...Imberbes acéfalos, sem experiência profissional e de vida, a quem o poder cai nas mãos e o partilham com outros imberbes acéfalos - e existem em TODOS os partidos, não existem virgens inocentes na estória!
Miguel Relvas não se demitiu nem é demitido. Mas Miguel Relvas é Passos Coelho e Passos Coelho é Miguel Relvas: seres siameses há décadas, irmãos de armas que se não podem abandonar porque a queda de um será a queda do outro.
Investigue-se! Não apenas este, mas todos “O Relvas” que pululam em Portugal. Em TODOS os partidos, TODOS os setores!
Esta situação confirma a soberba moral de mais uma liderança do PSD: apenas o PSD é sério (o CDS refina a técnica, mas percebe que começa a ser tocado, qual maçã podre, tentando evitar o contágio), apenas o PSD sabe aquilo que Portugal necessita, apenas o PSD tem a solução e tudo o resto é errado, ímpio. Esquecem-se, porém, que o PSD é formado por seres humanos....
Os partidos políticos são estruturas compostas por seres humanos, sendo conspurcadas pelos seus defeitos; como estruturas de poder, tendem a reger-se por lógicas internas que o visam, vendo-se amiúde ocupadas e tomadas por siameses de “O Relvas”.
Os partidos políticos têm militantes de muito e meritória ação e pensamento, com o sincero desejo de ajudar a e contribuir para a afirmação do seu ideal político e da melhoria da vida dos seus concidadãos; mas também, como tudo o que é humano, são falíveis, por vezes falaciosos e vêm preenchidos alguns dos seus mais importantes lugares por lixo moral! Senão...
Será normal e aceitável que - imaginemos... - quem é rejeitado por um partido a um cargo de presidência numa Junta de Freguesia sirva como candidato a Câmara Municipal por outro?!
Será normal e aceitável que um militante, cujo valor é recusado pelos seus concidadãos, ascenda a lugares de destaque partidário a nível nacional e até a governante?!
Será normal que lideranças que prometem e não cumprem, que continuamente juram que vencerão de capota e sofrem humilhantes e contínuas derrotas, se perpetuem?
Será normal e aceitável que estruturas locais desrespeitem decisões nacionais, violem Estatutos de forma continuada, impeçam a ação dos militantes, de estess intervirem partidariamente, os rejeitem por lógicas de perpetuação de poder mesquinho?!
Será normal e aceitável que os partidos virem costas à sociedade, não a auscultem em questões essenciais, nem sequer aos seus militantes?!
Não é normal. Mas é acolhido por demasiados Militantes. E é aceite pela sociedade acriticamente, que permite que este estado de coisas continue.
Todas as sociedades têm os líderes que merecem e (não) fazem por ter. E estamos a senti-lo!
3. Como qualquer aluno do primeiro ano da Licenciatura de Direito poderia perceber, após um conveniente estudo da cadeira de Direito Constitucional, foi declarada inconstitucional, por violação do princípio da igualdade, a norma do Orçamento de Estado que previa o não pagamento de subsídio de férias e de Natal para os funcionários públicos. Fazendo jus a quem o merece, louve-se a ação dos Deputados da AR que solicitaram a análise da norma pelo TC (do BE, da CDU e - apenas! - alguns do Partido Socialista).
A campanha de pressão da Ministra da Justiça, a ameaça da extinção do Tribunal Constitucional e sua redução a secção do Supremo Tribunal de Justiça, a menorização mental dos Conselheiros por destacados membros dos partidos do Governo, redundaram em nada, foi cumprida a Lei e logo o Primeiro-Ministro bradou aos 4 ventos a sua ira contra tal cumprimento, mostrando quanto respeita o princípio de separação de poderes...
O Presidente da República, que não enviou a norma para fiscalização preventiva, teve a vergonhosa e vexante ideia de justificar a sua (continuada!) inação porque “Portugal não poderia correr o risco de ficar sem Orçamento de Estado”! O TC declarou inconstitucional...UMA NORMA, não o diploma, decidindo por uma esmagadora maioria.
E Cavaco Silva, a propósito de tudo o que se passa em Portugal, dos escândalos, do aumento galopante do desemprego? Nada. O Chefe de Estado, que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição...
4. “Até quando você vai ficar levando porrada, até quando vai ficar sem fazer nada?

quarta-feira, 4 de julho de 2012

E não é fabulado!

No mesmo Governo convivem licenciados de década(s) - Passos Coelho - com licenciados de ano - Miguel Relvas.
No mesmo partido convivem autarcas com decisão judicial determinando perda imediata de mandato - Macário Correia - com autarcas eternos - Jaime Ramos.
Por isso ao PSD se compreende o "luxo" de recusar ofertas de candidatos a posições subalternas feitas por agentes naturais, com mãos visíveis, deixando-os fugir para o outro lado da trincheira para as mais elevadas missões...
E ninguém se espanta que acolham com hurras tais personagens sempre que estes clamam o desejo de vencer por capota...