sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Novo diferendo local em perspetiva...

De acordo com o Projeto de Lei 320/XII, da autoria do PSD e CDS-PP, que corporiza a redifinição territorial das freguesias e no que concerne ao Município de Anadia, a Sede da União das Freguesias de Paredes do Bairro, Amoreira da Gândara e Ancas será em Paredes do Bairro, enquanto a Sede da União das Freguesias de Tamengos, Óis do Bairro e Aguim será em Tamengos.
Isto se, no prazo de 90 dias após a instalação dos órgãos que resultem das eleições autárquicas de 2013, a nóvel Assembleia de Freguesia da União de Freguesias não deliberar ou não decidir outro local...
Mesmo após as próximas eleições, perpetuam-se os problemas...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Semanário da Região Bairradina, Artigo de Opinião de Novembro 2012


1. A 5 de Novembro a UTRAT (Unidade Técnica) apresentou a Proposta de reorganização administrativa autárquica, fruto da Lei 22/2012. No que tange a Anadia, determinou que a Freguesia de Mogofores se agrega à Freguesia de Arcos, formando uma só; que as Freguesias de Aguim, Tamengos e Óis do Bairro se agregam entre si, formando uma só; que as Freguesias de Paredes do Bairro, Ancas e Amoreira da Gândara se agregam entre si, formando uma só, mantendo-se inalteradas a designação e território das restantes, passando a ser 10 as Freguesias no Município de Anadia, em vez das 15 atuais.
Recorde-se que a Câmara Municipal de Anadia omitiu a emissão do devido Parecer e que a Assembleia Municipal omitiu a devida Pronúncia. Não obstante os avisos à navegação lançados aos responsáveis locais durante meses, totalmente desconsiderados, o taticismo falou mais alto e Anadia depara-se agora com uma solução imposta, em detrimento de uma localmente discutida...
A Assembleia Municipal reunir-se-á, protestando contra a posição de Lisboa e opondo-se à mesma. As Freguesias que se agregam exigirão para o seu (atual) território a sede das novas Uniões de Freguesias, aumentando as hostilidades intramunicipais. Tudo porque os responsáveis municipais e político-partidários se eximiram da assunção das responsabilidades inerentes ao exercício de cargos públicos! Continuarão a escudar-se na cobardia política do Governo?
2. Anadia apresenta, na Região do Baixo Vouga (12 Municípios) e por grande margem, o mais elevado índice de envelhecimento da população: por cada 100 jovens, existem 187,2 munícipes com 65 ou mais anos - nos Municípios de Mealhada, Águeda e Oliveira do Bairro os valores são, respetivamente, de 157, 143 e 132...
A média nacional em 2011 é de 129, sendo o Alentejo a região com piores valores (179, bem abaixo de Anadia...). Se em 2001 Anadia apresentava um índice de 133, o mesmo tem vindo a aumentar exponencialmente (167, 176 e 187, de 2009 a 2011).
O que explica que a população tenha diminuído 8% de 2001 a 2011 e o índice de envelhecimento tenha aumentado 40% ? E porque tais valores são tão negativos se comparados com os Municípios contíguos?
Será por puro casuísmo que Municípios vizinhos atraiam novos investimentos, indústrias tecnológicas de ponta, e Anadia não? Será por acaso que a população jovem procura Municípios vizinhos para construir as suas casas, para trabalhar, para lançar os seus negócios, para educar os seus filhos, para o seu lazer? NÃO!
Anadia está destroçada por 37 anos de consecutivos, absolutos e absolutistas executivos do PSD, sem projeto estruturado para Anadia, marcados pela inexistência total de políticas de atração de população/investimento e/ou medidas concretas que estanquem a fuga daquela, pela inexistência de auxílio ao empreendedorismo (jovem e não jovem) que existe em outros Municípios...
Mas, reconheçamo-lo, também por falta de alternativa político-partidária, construtiva, que ofereça uma solução credível, concretizando propostas, trabalhando de forma contínua no terreno e em estreito contato com as populações e as suas reais necessidades. Não bastam meras declarações de interesse, não basta repetir as mesmas posições e justificações anos a fio, sem oferecer um caminho diferente; o tempo que se vive é complexo, exigindo líderes que inspirem credibilidade, e esperança, que saibam estar à altura de suas responsabilidades. Haja capacidade!
3. Não deposito, contrariamente a alguns colegas de partido, uma fundada esperança na Convergências de Esquerdas, numa Frente Popular de partidos de centro-esquerda e extrema esquerda (parlamentar): não por falta de responsável natureza dialogante do Partido Socialista e sua direção, mas pela realidade existente na CDU e BE, acentuada pela recente Convenção.
O BE faz do conflito a sua arma, diz-se estandarte da luta em questões fraturantes mas exime-se de apresentar medidas de aplicação governativa - não obstante na Convenção declarar que pretende integrar um Governo de Esquerda, o BE nega qualquer solução de compromisso!
Fernando Rosas avisou que “Teremos um Governo de esquerda quer queira ou não queira o PS”. Os novos líderes do BE (ambos ou um e outro?) exigem que o Partido Socialista clame por eleições já e que mude a sua política para que possa existir uma alternativa governativa de Esquerda - seja, que “rasgue o Memorando” e se alie à base ideológica e programática do BE!
O Partido Socialista liderará o próximo Governo, de Esquerda: fá-lo-á com um programa solidário e que honrará os compromissos assumidos pela República Portuguesa (salvaguardando o interesse nacional e adequando o cumprimento à situação para a qual o atual Governo nos continua a arrastar), marcado pelo diálogo e concertação entre todos os setores sociais e económicos nacionais, com uma forte aposta no crescimento económico e no lançamento de políticas de incremento de emprego. Um Governo que, apostando na existência de um verdadeiro e solidário (não caritativo!) Estado Social, saberá empreender um aturado trabalho para renovar o mesmo, o adequar à realidade demográfica que existe (exponenciada no futuro). Um Governo consciente de e com o desejo de o combate aos fundamentos últimos da crise que atravessamos seja de âmbito europeu, com medidas comunitariamente concertadas, defensoras da união política e monetária. Um Governo que lutará para eliminar a crescente desigualdade de oportunidades, redistribuidor dos necessários sacrifícios onde o sejam, convidativo à participação de todos quantos o queiram.
Haverá Governo de Esquerda, liderado pelo Partido Socialista, envolvendo todos quanto o queiram, mais ou menos à esquerda do centro ideológico-político português. Mesmo que o não queira o BE!
4. Os cabeças de lista às Câmaras Municipais pelo Partido Socialista terão que ser escolhidos até 31 de Dezembro, estando prevista a (possibilidade de) realização de eleições diretas internas para o efeito.
É fulcral, a nível local, realizar Convenção Autárquica e Plenário de Militantes: para militantes, dirigentes, autarcas e simpatizantes do Partido Socialista, em conjunto, definirem o perfil desejado dos candidatos a autarcas e para permitir a eventuais candidatos (a candidatos) poderem aquilatar da necessidade e/ou conveniência de suas candidaturas - o Presidente da Comissão Política garantiu que iria dar a palavra aos Militantes para o efeito, o que decerto fará.
Também são importantes para, de forma desassombrada, analisar e clarificar a realidade em que se encontram Município e estrutura, corporizando e reforçando o efetivo exercício da militância e simpatia pelo Partido Socialista. Para construir, em diálogo aberto, um projeto sólido, recolhendo sensibilidades e experiências diversas, que seja aceite maioritariamente pelos Munícipes em 2013 e permita alterar (a ausência de) o desastroso rumo do Município de há mais de três décadas.
A Convenção Autárquica e Plenário de Militantes são mecanismos ótimos para alcançar tais objetivos. Eis chegada a hora!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Da Reorganização Administrativa Autárquica

A 5 de Novembro a UTRAT (Unidade Técnica) apresentou na Assembleia da República o estudo relativo à reorganização administrativa autárquica, resultante da Lei 22/2012.
No que tange a Anadia, perante a omissão de Pronúncia pela Assembleia Municipal, a UTRAT elaborou determina que:
  . A Freguesia de Mogofores se agrega à Freguesia de Arcos, formando uma só;
  . As Freguesias de Aguim, Tamengos e Óis do Bairro se agregam entre si, formando uma só;
  . As Freguesias de Paredes do Bairro, Ancas e Amoreira da Gândara se agregam entre si, formando uma só,
Mantendo-se inalteradas a designação e território das restantes, passam a existir 10 Freguesias no Município de Anadia, em vez das 15 atuais.
Recorde-se que a Câmara Municipal de Anadia omitiu a emissão de Parecer.
Recorde-se que a Assembleia Municipal omitiu a Pronúncia - tendo sido enviado o documento que consta do Anexo 2...
Não obstante os avisos à navegação lançados aos responsáveis locais durante meses, totalmente desconsiderados, o taticismo falou mais alto e Anadia depara-se com uma solução imposta, em detrimento de uma localmente discutida...
Parecer e Anexos respetivos em http://app.parlamento.pt/utrat/index.html
 


domingo, 4 de novembro de 2012

Mais do que a resposta, a Convenção Autárquica!




Decerto, perante tal tentativa, a Concelhia local do Partido Socialista corporizará os desejos dos seus Militantes, colocando em marcha o processo de definição autárquica!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Convenções Autárquicas: o bom mecanismo a que muitos não querem dar corda!

Aprovado que foi o Regulamento que define o processo de escolha dos candidatos a cargos pelo Partido Socialista, prevendo a (possibilidade de) realização de eleições diretas internas para o efeito, com maior acuidade - antes sequer de esta dever ter lugar! - se coloca a necessidade de, a nível local, realizar Convenções Autárquicas: pela definição conjunta (militantes, dirigentes, autarcas e simpatizantes) de objetivos eleitorais, pela definição de perfis  de candidatos e autarcas desejados, para permitir a eventuais candidatos (a candidatos) poderem aquilitar da necessidade e/ou conveniência de suas candidaturas.
Para permitir clarificar a realidade em que se encontram as estruturas, garantir o efetivo exercício da militância, a liberdade de opinião interna, a eliminação de dúvidas internas e querelas desnecessárias.
Para reforçar a militância e simpatia socialista locais, para estimular os autarcas eleitos e muitas vezes desconsiderados.
Para descobrir novos valores e redescobrir os desconsiderados.
Para corporizar a Democracia.
Para oferecer aos munícipes projetos sólidos, multifacetados, coletores de sensibilidades diversas.
As Convenções Autárquicas são bons mecanismos para alcançar tais objetivos; haverá quem lhes queira dar corda?

Conferência Integração Europeia

Teve lugar no passado sábado, no Museu do Vinho Bairrada, a Conferência "Integração Europeia: Desafios e Oportunidades", organizada pela Federação de Aveiro da Juventude Socialista (e ciceroneada pela Concelhia local).
Vital Moreira, Eurodeputado do Partido Socialista e docente universitário, proporcionou aos presentes uma magnífica preleção acerca da União Europeia, a sua real situação atual, recordando a todos o longo caminho percorrido e (ainda mais) a percorrer e os perigos crescentes de várias Europas, a várias velocidades, com incontáveis escolhos.
Parabéns ao Preletor e também ao Tiago Coelho, de Anadia, pela génese da iniciativa, e Tiago Soares, pela condução dos trabalhos.
A repetir! 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Artigo de Opinião Outubro 2012 - Semanário da Região Bairradina

1. A Assembleia Municipal de Anadia deliberou acerca da aplicação da Lei 22/2012 ao Município de Anadia, lei que introduz - de forma que continua por precisar! - mudanças no funcionamento, estrutura e financiamento das autarquias locais.
Cabe às AM a Pronúncia acerca da reorganização administrativa, atendendo aos pareceres das Câmaras Municipais e das Assembleias de Freguesia; através de Pronúncia justificada, devem definir o número de freguesias, suas denominações, definições e limites; em caso de omissão, a Unidade Técnica, junto da Assembleia da República, proporá projeto de reorganização local.
Prevê-se uma "redução global do...de freguesias correspondente a...50 % do número de freguesias cujo território se situe, total ou parcialmente, no mesmo lugar urbano ou em lugares urbanos sucessivamente contíguos e 30 % do número das outras freguesias" e conjuntos mínimos de "15 000 habitantes por freguesia no lugar urbano e de 3000 nas outras freguesias".
Anadia, único "lugar urbano", integra-se na Freguesia de Arcos e na Freguesia da Moita (Póvoa do Pereiro) - com a redução de 50% passaríamos a ter apenas uma destas Freguesias. Sendo 13 as Freguesias fora de lugar urbano, com uma redução de 30% passariam a ser 9 - donde um máximo de 10 Freguesias, mas sem cumprir (todos) os ditames globais do diploma...
"Em casos devidamente fundamentados, a assembleia municipal pode, no âmbito da...pronúncia...considerar como não situadas nos lugares urbanos do município freguesias que como tal sejam consideradas nos termos dos números anteriores" - o que permitiria a conservação da Freguesia da Moita - e "...em casos devidamente fundamentados...uma redução do número de freguesias do respetivo município até 20 % inferior ao número global de freguesias a reduzir": a AM, fundamentando devidamente a Pronúncia, poderia conseguir uma redução total de apenas 3 Freguesias e sem formar conjuntos de 3.000 habitantes!
A Ordem de Trabalhos da Sessão de 8 de Outubro foi elaborada com base no trabalho de uma Comissão Municipal, formada pelo Presidente da AM e um membro de cada partido, colhendo as posições das comissões políticas locais e os Pareceres das Assembleias de Freguesia. Nisso concordando a maioria, a única Proposta a votar seria a A: “Propõe-se que a Assembleia Municipal de Anadia não se pronuncie sobre a reorganização administrativa do território das freguesias”.
Sim: a proposta de deliberação primeira, excludente das demais, seria...nada deliberar!
Das 14 Freguesias que emitiram prévio Parecer, 5 mostraram-se contra qualquer forma de agregação, 7 apenas admitiam que outras freguesias a elas se agregassem, 1 defendia que as freguesias com menor população deveriam ser objeto de agregação e 1 defendia que as freguesias mais recentes deveriam ser objeto de agregação.
A Câmara Municipal de Anadia não elaborou “parecer sobre a reorganização do território das freguesias do respetivo município”, como legalmente imposto, bastando-se os Vereadores com simples deliberação (unânime) tomada em Reunião de Câmara - o Presidente da Câmara disse que fizera o que tinha a fazer, logo secundado pelo Presidente da AM...
Na votação estiverem presentes 34 dos 36 Deputados Municipais, contando-se 31 votos a favor da Proposta A (deliberar...inexistir Pronúncia!) e tendo sido apenas 3 os Deputados que votaram contra (Rafael Timóteo, Carlos Oliveira e Fernando Fernandes).
De entre este trio, os primeiros chamaram a atenção para os riscos tomados com a omissão da Pronúncia, pois o Município de Anadia acabaria por perder mais uma Freguesia do que com o cumprimento da obrigação legal, além de que uma solução discutida localmente, atendendo às caraterísticas municipais, seria mais equilibrada do que a que resultará do trabalho da Unidade Técnica, assente num gabinete em Lisboa!
A maioria das vozes defensora da Proposta A socorreu-se de um argumento que tem tanto de inadmissível quanto de (politicamente) cobarde: decerto o Governo cederia perante a pressão popular que se opõe à agregação de Freguesias (como o fez com as alterações à Taxa Social Única), mostrando o desejo de multiplicação de fenómenos de inexistência de Pronúncia das AM!
Para justificar uma posição taticista (as eleições autárquicas de 2013...), para ninguém ficar com o ónus de passar à História como “o coveiro da Freguesia”, numa lógica puramente egoísta de preservação local, apelou-se à falta de orientação e retidão do Governo, ao seu desnorte, como se a cobardia política alheia justificasse a omissão de Pronúncia, sabidamente prejudicial - e esquecendo que, em substituição das alterações à TSU (com a hipocrisia da justificação!), haverá lugar à mais prejudicial sobrecarga fiscal...
Não foi por falta de aviso, por falta de aconselhamento, que os Deputados Municipais deliberaram, por larguíssima maioria, omitir a Pronúncia devida e, com isso, optar por uma redução acrescida do número de Freguesias, a traçar de forma meramente quantitativa e formal pela Unidade Técnica. Não foi por falta de tempo para empreender um debate municipal, mobilizar vontades inter-freguesias não oponentes a fenómenos de agregação possíveis, que a Pronúncia foi omitida.
Foi, na maioria, o “bairrismo” no seu pior!
Com a crescente descrença popular nos titulares de cargos políticos e na ação de forças partidárias, com esta meditada opção prestou-se um mau serviço à Democracia Participativa: recai sobre os titulares de cargos públicos a obrigação de tomar decisões, é parte integrante da missão! E revelou-se novamente o nível democrático que (ainda não) atingimos no Município de Anadia...Mesmo que se cumpram os vaticínios de cedência do Governo à pressão das ruas!
2. O cardeal patriarca de Lisboa criticou as manifestações populares, defendendo a castração de um dos mais basilares direitos da Democracia, a liberdade de opinião e de expressão. É estranho que “os pobres de Deus” nem com a Igreja Católica contem - e até Ramalho Eanes insta a Igreja a tomar uma posição! A liberdade de pensamento e expressão tem acolhimento constitucional (e estatutário - em todos os estatutos partidários) e longe irão os tempos da punição, da perseguição revanchista àqueles que exprimem a sua opinião, mesmo que divirja do poder imoralmente instalado, que lutem pela defesa da res publica, dos seus legítimos direitos e das gerações vindouras. Até por tradição judaico-cristã!
3. Litério Marques recusou a diminuição do benefício da Câmara Municipal no IRS e Derrama: “vamos buscar onde há e com legitimidade”, “não podemos andar em contra ciclo com o Governo, que subiu os impostos. Eles não abdicaram de reduzir, e porque temos nós?”.
Com o aumento médio de 35% na incidência do I.R.S., o exponencial aumento do desemprego e a revisão em acentuada baixa dos indicadores macro-económicos, numa fase de sufoco económico, a Câmara Municipal de Anadia não ajuda em nada os seus Munícipes; mas...
Depois da festa rija a 5 de Outubro (sem poupança de despesas para música, foguetório e acepipes), não para comemorar a implantação da República mas para inaugurar uma obra já em utilização, seguem-se-lhe DOIS dias de festa rija na Curia para mais uma inauguração!
É tão mais fácil culpar "os políticos", "os partidos" e esquecer as próprias responsabilidades...Seriedade, sempre...